Editorial

Com ou sem interferência política?

06 de Maio de 2014 - 07h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tem sido olhado por alguns setores como profundamente passível, em nível nacional, de sofrer interferências políticas. Essa “desconfiança” levou a presidente do IBGE, Wasmália Bivar, a precisar sair a público e negar qualquer ingerência política do governo nas alterações feitas em algumas pesquisas do órgão. A afirmação foi dada durante reunião com representantes dos servidores do instituto.

A decisão de suspender a divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), segundo Wasmália, se deu pelo Conselho Diretor - e por não se tratar de uma decisão técnica não haveria necessidade de consultar os técnicos do órgão. Conforme a assessoria do instituto, Wasmália explicou que “a suspensão é necessária para a revisão do cálculo de rendimentos, que servirá como base para rateio do Fundo de Participação dos Estados (FPE), uma exigência legal”.

Trabalhadores do IBGE de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraíba paralisaram recentemente. Os núcleos do sindicato pretendem se reunir para debater se farão ou não greve geral. De acordo com um dos diretores da Executiva Nacional da Assibge - Sindicato Nacional, Cassius de Brito, a reunião da presidente com os servidores teria deixado clara a posição defensiva da presidência do órgão, que, segundo ele, “não sinalizou nenhum movimento de mudança concreta para melhorar as condições de trabalho no órgão”.

“A suspensão da Pnad foi o ápice de um processo de precarização (do IBGE). Temos quase metade da força de trabalho do IBGE que é temporária. A presidente disse que a suspensão da Pesquisa de Orçamento Familiar ocorreu por falta de recursos humanos”, disse ele. “O quadro permanente do IBGE está sendo esvaziado, e esse problema de recursos humanos é gravíssimo. Eles (presidência) reconhecem a defasagem salarial e de pessoal, mas não tomam providências efetivas, ficam como observadores”, declarou Brito.

A solicitação de 1,6 mil vagas para os próximos quatro anos, por parte do órgão, é tímida, segundo o sindicato, pois dos 5.790 servidores em 580 agências espalhadas pelo país, quatro mil estão em condições de se aposentar nos próximos anos - 380 aposentadorias ocorreram nestes primeiros meses de 2014. A presidente do órgão reafirmou, segundo a assessoria do IBGE, que a atual relação entre os totais de servidores temporários e efetivos precisa ser ajustada, e considera crucial a recomposição do quadro de efetivos, bem como a valorização salarial dos trabalhadores do IBGE - questões que têm apresentado reiteradamente ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão como críticas para a Instituição.

Além de novos concursos, a Assibge reivindica a convocação imediata de um congresso institucional e pleiteia eleições diretas para presidente, membros do conselho diretor e chefias das unidades estaduais, bem como melhores salários e mais recursos para a instituição.

 


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