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Coisa mais linda

19 de Setembro de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Paulo Gaiger, professor do Centro de Artes da UFPel

Trabalhar com as artes é muito legal. Viver deste trabalho, muito melhor. No entanto, tem gente que acha que artista não trabalha. Quando assiste a um espetáculo de teatro de uma horinha de duração, prejulga que atrizes e atores trabalham somente aquela uma horinha em cima do palco ou na praça ou na plataforma digital. Estou metido no teatro há muitos anos e sei que o trabalho é diário, constante, sem hora para acabar e cheio de desafios e prazer. O espetáculo de uma horinha é resultado de muita dedicação e tempo, de muitas mãos e muito suor: dramaturgia, pesquisa, treinamento, leituras, ensaios, concepção de cena, cenário, figurinos, trilha musical e muitas coisas mais. Quem está acompanhando a web série SHIRLEY & DEISÊ, no facebook ou no youtube, está se deliciando com capítulos curtos de aproximadamente sete minutos, todas as terças, às 21h. Maria Falkembach e Marina de Oliveira, professoras do Centro de Artes e atrizes de fazer cair o queixo, trabalham muitas horas da semana, incluindo fins de semana, ajustando escrita, ensaios e gravações com a preparação e as aulas remotas, a coordenação de projetos unificados, as diversas reuniões, amigos e família. E está sendo muito prazeroso, nem lhes conto. Mas vejam que tem muita mais gente implicada na produção da web série: Cintia Langie, professora do curso de cinema, Mariana Corrêa, Rayssa Fontoura, Ana Paula Ambrosano e Kevin Thiene, estudantes dos cursos de cinema e de animação, Karol Mendes, estudante de teatro, Pablo Gaiger, cineasta da Inglaterra, Leandro e Gonçalo Maia, na música e nos letreiros. Estou junto como diretor nesse lindo projeto. Entre as disciplinas que ministro, as de Montagem Teatral I e II exigem um empenho quase full time. Preparação corporal e vocal, canto, texto, construção das personagens e de cada cena, ensaios sem fim e demandas que vão surgindo ao longo dos processos. Nestes últimos anos, as disciplinas revelaram estudantes-atrizes super disciplinadas, estudiosas e de encher os olhos: Juliana Caroline, Lizi Fonseca, Letícia Conter, Cláudia Gigante, Karol Mendes, Shai Molina e Jane Rodrigues, entre tantas que eu poderia nominar. Todas elas trabalham muito, investigam seus potenciais, não se entregam aos atalhos asfaltados. Abrir caminhos não é para qualquer uma! Tânia Farias, da Terreira da Tribo, é um saber em movimento que toca profundamente. Uma vida consagrada ao teatro, à vida mesma. Temos que aprender muito com a Tânia. Acho que vocês conhecem as Fernandas: a Montenegro e a Torres. Fernanda Montenegro lançou o seu livro autobiográfico no ano passado. Leitura imprescindível. Fernanda Torres, além de ser uma grande atriz, também é escritora. Mãe e filha são ótimas em tudo que fazem. Muito trabalho e muito prazer. Há quase vinte anos, a série A presença de Anita revelou Mel Lisboa. A atriz não parou no tempo, nem se colocou em alguma redoma da fama. Ao contrário, trabalha muito, fazendo teatro, musicais, televisão, séries e filmes. Ganhou muitos prêmios e, entre eles, o Kikito, do Festival de Gramado. Em Rita Lee Mora ao lado, Mel arrebenta a ponto de deixar a própria Rita Lee sem saber quem é a verdadeira Rita Lee. Mel encanta porque não se repete, porque é verdadeiramente uma atriz. Cada personagem e desafio, ela estuda, experimenta, se reconstrói. Era preciso vê-la em Boca de Ouro, com direção do Gabriel Villela. Em Pacto de Sangue, disponível na Netflix, Mel nos arrebata com uma personagem fanática, perturbada e complexa. Mas na série Coisa mais linda, também na Netflix, Mel é a jornalista Thereza. E aí minha chapa, ela arrasa. Imperdível em todos os sentidos! Nesta segunda, dia 21, às 21:30, poderemos ver a apresentação de "Madame Blavatsky", pelos canais do @sescaovivo. Mel Lisboa é uma baita atriz. Muito trabalho, muito prazer e alegria. Evoé!


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