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Cisne negro?

30 de Março de 2020 - 07h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Ezequiel Megiato - Escritório de Desenvolvimento Regional - UCPel

Você conhece a expressão “a lógica do cisne negro”? Esse termo foi cunhado pelo economista líbano-americano Nassim Nicholas Taleb, que estuda a ciência da incerteza. Conheci seu livro A lógica do cisne negro: o impacto do altamente improvável - recomendo a leitura - por volta de 2008, durante a crise do subprime, que devastou as finanças internacionais, forçando os bancos centrais, inclusive o do Brasil, a intervir fortemente nos mercados. Voltando ao livro, o autor faz uma alusão ao fato de que, até meados do século 17, o mundo apenas conhecia cisnes brancos. Isso tudo mudou após o descobrimento da Austrália, quando se viu que, por lá, também existiam cisnes, só que negros, o que era inesperado.

O termo, em si, serve apenas para ilustrar e caracterizar o que seria a aplicação prática de um “cisne negro”, que reúne três características altamente improváveis: é imprevisível, ocasiona resultados impactantes e, após sua ocorrência, inventamos uma forma de torná-lo menos aleatório e mais previsível.

Trazendo esse termo para nossos dias, é bem possível caracterizar o que estamos vivendo como um cisne negro, e dos grandes. Início de 2020, Bolsa batendo todos os recordes, taxas de juros em mínimas históricas, inflação controlada, economia se ajeitando, enfim, tudo indicava, mesmo para os mais céticos, que teríamos um ano melhor do que foi o ano passado. De uma hora para outra, vem o vírus e muda tudo. O que fazer? Já não tivemos outros momentos assim antes? Começando pela segunda pergunta. Sim, já tivemos outros momentos assim. No caso da pandemia, por exemplo, como não lembrar da crise do H1N1? Mais do que lembrar, deveríamos ter guardado lições importantes daquele momento. E essa é a resposta para “o que fazer?”: aprender, aprender e aprender.

Um evento “cisne negro” sempre guardará suas características de improbabilidade e aleatoriedade, isto é, nunca saberemos o que vai acontecer e quando vai acontecer, mas a capacidade de estar pronto para o improvável é, talvez, a maior mola propulsora da inovação que podemos utilizar. O fato de não estarmos prontos e temermos momentos como o atual, talvez, seja reflexo do fato de que, invariavelmente limitamos nosso conhecimento a casos específicos e, geralmente de conhecimento notório e público, estamos pouco, muito pouco abertos ao novo, ao que é desconhecido. Veja que isso acontece na nossa vida familiar, na escola, na universidade, na vida profissional etc.

Que tal fazer diferente dessa vez? Que tal aproveitar esse momento e construir novas soluções, literalmente sair da caixa, desconstruir conceitos preestabelecidos e inovar? O aprendizado obtido na crise, certamente será capaz de produzir efeitos benéficos no futuro. Quem sabe o que vem por aí?

 


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