Opinião

Chorou, choramos…

28 de Junho de 2022 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Marcelo Oxley
Jornalista, presidente do Podemos em Pelotas

Deveria ser apenas mais uma tarde ensolarada com uma vitória do nosso Esporte Clube Pelotas. Com rostos em azul, muitos torcedores e a Boca do Lobo estavam preparados para a classificação.

Almoçamos empolgados; meus filhos, esposa e eu. Na pauta, a arrumação para o jogo do Lobão, com nossos moletons novos que ganhamos de presente. Entre um olhar e outro observava a alegria daqueles inocentes para ver o seu time do coração. Para um pai completamente apaixonado por futebol, não havia sensação melhor, mesmo sabendo que a linha que separa a glória da decepção é tênue.

Nas imediações de um do estádio mais antigo do Brasil, um mix do passado. Foi ali que vi o Pelotas sendo derrotado para o seu maior rival com dois a menos em campo. Também foi daquela Avenida que saímos às épicas vitórias daquele 4x0 e 3x0 na Baixada. Em alguns segundos respirei o bom futebol do interior que tenta, mesmo com ajuda de aparelhos, sobreviver neste árduo cenário de paixão e nada a mais.

O jogo se desenrolava tranquilamente para um Acesso: campo embarrado, pouco futebol, chances desperdiçadas e muita transpiração. O Pelotas não teve a capacidade de fazer uma vitória simples no tempo normal, levando assim a decisão para as cobranças de penalidades. Foi exatamente neste instante em que olhei para os meus filhos e pedi, aos deuses, que não sofressem. Uma cena me cortou o coração e me emocionou ainda mais: quando o juiz apitou para a última cobrança que nos tirou da disputa, lá estavam eles ajoelhados na arquibancada rezando. Aquela imagem jamais vai sair da minha memória e, quando forem grandes, terei o prazer de lhes mostrar. A incompetência de alguns batedores foi de dar água na boca aos mais exaltados secadores. O Pelotas estava fora do Gauchão de 2023. O Pelotas jamais foi firme no Acesso. Todos têm culpa! Inclusive sua direção, que já nos deixou de lado do segundo semestre de 2021 e também não teve coragem de aceitar um convite para a realização de um Citadino em 2022. Tenho plena prioridade para falar neste assunto, pois foram esses ouvidos, já calejados, que ouviram sobre o medo de disputar um Bra-Pel. Não acreditei!

Um clube de futebol só acontece tendo futebol. Por outro lado, não há como negar, e seria injusto, que o quadro de gestores do Esporte Clube Pelotas faz um bom trabalho financeiro.

O pior ainda estava por vir: dizer aos meus filhos que o Pelotas estava eliminado e que a vida segue. Não foi uma tarefa fácil, pois eu também estava sentindo a dor de mais uma derrota. Sentimento normal para um torcedor mais velho, porém, algo bem novo para dois meninos de oito e seis anos. As lágrimas nos olhos do meu filho maior refletiam a dor de uma derrota. A dor de que muitas outras ainda deverão rolar. Refletia a minha dor comedida em uma única lágrima sorrateira para que eles não a vissem. Precisei ser forte e fazer com que entendessem que ser Pelotas seria isso aí: sofrimento, mas amor eterno ao clube.

O Esporte Clube Pelotas tem o prazer, ou desprazer, de fazer o que bem entende com seu torcedor. Temos uma estrutura avançada, mas pouco estimulada. Temos uma torcida apaixonada, mas sofrida anualmente. E por incrível que possa parecer, não temos categoria de base e tudo que ela poderia propiciar ao clube.

Hoje estou triste, por eles e pela eliminação. Nossas lágrimas são sinceras e, assim, podemos seguir amando este clube de futebol que é capaz de nos deixar desta maneira, sem chão.


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