Opinião

Caminhos

06 de Agosto de 2022 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Maria Alice Estrella
malicestrella@yahoo.com.br

Como é difícil decidir qual o melhor caminho a seguir quando as estradas se bifurcam. Em cada conjunção de linhas onde elas se encontram e se dividem acontece um instante de impasse, de dúvida, de hesitação. Aparentemente, temos a nossa frente múltiplas escolhas.

Uma vez assumido o rumo, os passos levam a uma paisagem desconhecida e, nem sempre coerente com o esperado. Pode não haver campos floridos, sombras reconfortantes e terreno plano. Ao contrário, os acidentes de percurso podem ser vários e desanimadores. No entanto, muitas vezes, nosso trajeto é pleno de luz, de alegrias. E, pensamos que tudo é questão das nossas próprias decisões.

Daí é um passo para fazermos do livre arbítrio uma forma de prisão e mantemos uma postura irredutível, descartando a possibilidade de voltar atrás. No entanto, é sempre possível reconsiderar.

Pergunto se existe discernimento de escolhas ou, se estamos à mercê de desígnios. Seremos donos e senhores de nossas ações ou já estão traçadas as metas do nosso destino?

Observando a caminhada de muitos, chego à conclusão de que não tiveram poder para determinar sobre os fatos desagradáveis ou, os momentos de ventura. Simplesmente, aconteceram. Sem livre escolha. Impostos pelas circunstâncias.

Assim também, com as pessoas que cruzam a nossa estrada. Elas chegam, ficam, partem independente de nossas vontades, conforme estava escrito e segundo as contingências.

Tudo, de repente, faz parte de um contexto pré-determinado de tarefas a cumprir.

Decidimos quase nada em relação a tudo. Os acontecimentos se desenrolam como linha de um carretel, rolando no chão fora do alcance de nossas mãos.

Talvez, as curvas existam nos caminhos para nos permitirem a descoberta do que nos está reservado, lentamente, numa forma sutil de nos preparar para o que está adiante.

O livre arbítrio é uma desculpa que usamos para compensar nossa limitação e impotência em conduzir os fios do destino.

Somos atores de um enredo em que temos o papel que nos foi pré-estabelecido. A atuação é que depende de nós. E então, nesse caso, ocorre o livre-arbítrio com relação à posição que adotamos para desempenhar nossa missão no caminho em que fomos colocados.

As encruzilhadas nunca surgem ao acaso. Esperam por nós para que cumpramos a nossa trajetória conforme as contingências e exigências da vida nossa de cada dia e a cada passo.


Comentários

Diário Popular - Todos os direitos reservados