Editorial

Brasil, um país conservador

06 de Janeiro de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Que tipo de rótulo você daria ao Brasil: conservador, liberal, progressista? A postura de cada brasileiro até pode ser enquadrada nessas e em outras linhas de pensamento, mas quando temas polêmicos surgem à frente de cada um, prevalecem ainda opiniões extremamente conservadoras de Norte a Sul do país.

Foi o que apontou o novo estudo realizado pelo Ibope Inteligência sobre assuntos polêmicos e a relação com grau de percepção. E comparado com os resultados obtidos em 2010, quando a pesquisa foi desenvolvida pela primeira vez, identificou-se um aumento no índice de conservadorismo.

O índice considerou as opiniões dos brasileiros em relação a cinco perguntas com abordagens polêmicas: a legalização do aborto; o casamento entre as pessoas do mesmo sexo; a pena de morte; a prisão perpétua e a redução da maioridade penal.

Com uma escala de zero a um, obtida a partir de pesos dados às respostas e das médias calculadas para cada indivíduo, obteve-se a posição dos brasileiros. O valor mais baixo foi atribuído ao perfil mais liberal e o mais alto ao conservador.

O valor médio obtido hoje é maior do que em 2010 (0,686 contra 0,656), ou seja, em seis anos aumentou significativamente à favorabilidade a algumas questões (especialmente entre os homens, os menos escolarizados e os evangélicos), pontua a análise feita pelo Ibope Inteligência.

As questões que puxam o aumento do conservadorismo são as três ligadas à segurança pública. O apoio à pena de morte pulou de 31% para 49% nos últimos seis anos; a favorabilidade à redução da maioridade penal - para permitir que adolescentes sejam julgados como adultos - cresceu de 63% para 78% e a defesa da prisão perpétua para crimes hediondos aumentou de 66% para 78% desde 2010.

Medido de outra forma, foi possível agregar a distribuição da população de acordo com o valor obtido no índice de conservadorismo, sendo considerado como baixo (até 0,3 no índice), médio (entre 0,4 e 0,6) e alto (0,7 ou mais). O que teve então nesse período foi um aumento do grupo mais conservador, que passou de 49% para 54% no total da população - aumento de seis pontos percentuais.

Ao analisar os resultados, a CEO do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari, destacou que o resultado ocorre em função do maior apoio às medidas punitivas, seja em decorrência do aumento das taxas de violência no país ou de um desejo de se acabar com a impunidade. Para Márcia, este posicionamento mostra ao poder Legislativo que as atuais leis não dão conta de resolver os problemas do país e que precisam ser revistas.


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