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Bolsonaro e a preservação ambiental

20 de Julho de 2019 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Eduardo Allgayer Osorio, engenheiro agrônomo, professor titular da UFPel, aposentado

A notícia de que a chanceler alemã Ângela Merkel queria uma "conversa clara" com o presidente Bolsonaro sobre a política de proteção ambiental para a Amazônia teve como resposta: "os alemães tem mais é que aprender com o Brasil".

E tem razão.

Pulando a discussão ideológica, indo direto à análise técnica, estudo da Embrapa Territorial por georreferenciamento via satélite, confirmado pela Nasa, mostra que o Brasil tem hoje 66% da sua superfície territorial integralmente preservada, aumentando esse percentual para 75% quando se agrega ao estudo as áreas de pastagem nativa usadas para o gado no Pantanal, no Pampa, no Cerrado e na Caatinga. Esses números se contrapõem veementemente ao que acontece na União Europeia onde a vegetação natural foi quase toda suprimida, cobrindo hoje apenas 0,3% do território europeu (inclusive a famosa Floresta Negra alemã não é nativa, é um plantio uniforme, com biodiversidade mínima).

O agronegócio brasileiro, que abastece com alimento barato a mesa dos brasileiros e ainda exporta excedentes suficientes para alimentar outros 800 milhões de pessoas mundo afora, ocupa com suas lavouras e florestas plantadas apenas 9% da área territorial brasileira. Somente nas propriedades rurais privadas é preservada mais vegetação nativa do que em todas as Unidades de Conservação somadas ou em todas as terras indígenas.

Pelo Código Florestal, em cada propriedade rural situada na Amazônia é obrigatório, por lei, demarcar e registrar em cartório, para fins de conservação e proteção ambiental, uma área equivalente a 80% da área total da propriedade, sendo vedado qualquer uso agrícola aí (e muito menos desflorestar).

Afora preservar a vegetação nativa como nenhum outro país faz, o Brasil tem a matriz energética mais limpa do planeta, gerando as hidroelétricas 68% de toda a energia elétrica consumida no país, sendo outros 10% gerados pelo vento (em 458 parques eólicos) e pela radiação solar captada nos painéis fotovoltaicos implantados nesse país tropical. No transporte, do combustível consumido pela frota brasileira 44% provém de fontes renováveis (na gasolina 27% é etanol, feito da cana-de-açúcar e do milho; no diesel 10% é biodiesel, extraído da soja e de outras fontes renováveis, afora o álcool usado nos carros flex em proporções variadas).

Na Europa o programa de proteção ambiental mais festejado é o de substituição dos motores de combustão interna por motores elétricos, sem a emissão de gases poluentes, o que em termos de proteção ambiental é uma ilusão já que lá a energia elétrica é gerada, em grande parte, nas usinas movidas a combustíveis fósseis (carvão, petróleo, xisto, gás). Se os carros elétricos não emitem gases poluentes, as termoelétricas o fazem.

Quanto à poluição ambiental promovida pelos produtores rurais, no Brasil predomina o uso do plantio direto, sem o revolvimento do solo (evita a erosão e conserva a estrutura do solo), sendo as lavouras protegidas por quantidades de defensivos inferiores às usadas nos países europeus. Segundo os dados da FAO, no Brasil é empregado em média 4,3 kg/ha de defensivos agrícolas enquanto que nos países europeus a média excede 6,0 kg/ha chegando, nos países baixos, a 9,3 kg/ha. Os alimentos colhidos no Brasil são exportados para 160 países, atendendo critérios de segurança alimentar extremamente exigentes, muitas vezes mais rígidos do que os normalmente preconizados na legislação internacional. Tivessem os alimentos aqui produzidos níveis de resíduos tóxicos acima do preconizado nessa legislação, por certo estaríamos ausentes do mercado externo.

Por tudo isso o presidente Bolsonaro está cheio de razão ao dizer: "a chanceler Angela Merkel que nos desculpe, mas em matéria de preservação ambiental os países europeus têm mais é que aprender com o Brasil".


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