Editorial

Boate Kiss, o fim do inquérito

Às 14h desta sexta-feira o Brasil irá repercutir a entrega à Justiça do inquérito policial sobre a tragédia da boate Kiss, em Santa Maria, onde 241 pessoas perderam a vida durante um incêndio

22 de Março de 2013 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Às 14h desta sexta-feira o Brasil irá repercutir a entrega à Justiça do inquérito policial sobre a tragédia da boate Kiss, em Santa Maria, onde 241 pessoas perderam a vida durante um incêndio. Cerca de 30 minutos após a formalidade, integrantes da Polícia Civil e do Instituto Geral de Perícias (IGP) devem participar de entrevista coletiva na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), onde estudavam dezenas de estudantes mortos pela fumaça tóxica, e dar detalhes do que foi levantado durante os quase dois meses de investigações. Foram ouvidas cerca de 700 pessoas e muito do que está no inquérito já se sabe.

Sabe-se, por exemplo, que a tragédia aconteceu porque as principais medidas de segurança para garantir o funcionamento da boate foram ignoradas pelas autoridades, civis e militares. Busca-se agora apontar o início desse caminho, desde o pedido do primeiro alvará, até a autorização final, e os nomes daqueles que, nessa linha burocrática, passaram por cima da lei para facilitar a operação da casa noturna. E muitos nomes já apareceram.

A tragédia da boate Kiss promoveu, além da comoção nacional, mudanças na forma do Poder Público olhar para um serviço que jamais deveria ser frouxo. Ao contrário, a autorização para empreendimentos que recebem público - pequeno, médio ou grande - deveria ser a mais rígida de todas. A fragilidade do sistema levou a uma corrida contra a falta de fiscalização. Quem tinha pendências precisou fechar as portas e se ajustar às normas. E obviamente gritou, esperneou, mas sem razão. Tentando se proteger com o discurso de que “a vida toda trabalhei assim”. É natural tal reação, afinal, o Poder Público, em muitos municípios, sempre fechou os olhos a uma questão que, se não tivesse acontecido a tragédia em Santa Maria, estaria pendente até hoje.

As lições não terminam com a entrega do inquérito nesta sexta à tarde. Elas continuam e serão lembradas por muitos anos. Serão cobradas pela imprensa, pela população. Talvez ajude a mudar a legislação, talvez provoque mudança de hábitos, talvez aumente a preocupação dos pais com a saída de seus filhos à noite.

Os detalhes da forma como tudo aconteceu naquele fatídico 27 de janeiro de 2013 serão apresentados nesta sexta-feira. Mais um momento de dor aos familiares das vítimas, que saberão, de uma forma cruel, como cada parente perdeu a vida dentro de uma boate que não tinha condições de estar com as portas abertas. Mas funcionava porque as autoridades, irresponsavelmente, concederam a autorização.


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