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Beneficência Portuguesa, 162 anos

14 de Setembro de 2019 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Francisco José Leal Serra

O ano era 1857, dez anos passados da fundação da Santa Casa de Misericórdia de Pelotas, um símbolo de nossas raízes portuguesas onde a benemerência sempre esteve presente. Volta e meia me perguntam: "Mas porque fundaram a Beneficência se já existia a Santa Casa? Brigaram?" Nada disso. A comunidade Portuguesa, bastante numerosa e pujante na época, sentiu necessidade de criar uma associação onde, com a reunião de forças, pudesse tomar algumas atitudes, cujos problemas se começavam a destacar, como a saúde e o cuidado com as viúvas e idosos com poucas condições financeiras, desprotegidos da sorte, repatriando-os para Portugal, além de enterrar seus mortos.

Já se deu conta que praticamente todas as Santas Casas têm cemitério? Com este intuito, foi criada a Santa Casa de Pelotas que, na época, era sustentada pelos sócios que mensalmente contribuíam para esse fim. O que houve, então? Sendo o único hospital existente, o Poder Público começou a usá-lo, recolhendo, por exemplo, os indigentes e outros e entregando-os à Santa Casa. Só que, simplesmente, não dava a sua contrapartida, ou seja, não pagava (o hábito é antigo!!!) e a Santa Casa não suportou, já que vivia das mensalidades dos sócios. Perante tal situação, decidiram entregar ao Poder Público todo o patrimônio e a direção.

É evidente que a situação não era, antes pelo contrário, nada confortável, mas a força, a determinação e o empreendedorismo, diríamos hoje, da nossa etnia ultrapassaram o desalento e a frustração e eles se jogaram de corpo e alma nessa nova empreitada que foi a criação de outro hospital que satisfizesse as necessidades da comunidade e alcançasse os objetivos desejados. Nascia, então, a 16 de setembro de 1857, um novo hospital. A Sociedade Portuguesa de Beneficência.

Ao lermos as atas da fundação dos dois hospitais, verificamos que foram praticamente as mesmas pessoas que os fundaram.

A esses homens determinados, generosos e altruístas de quem recebemos esse fantástico legado, nossa homenagem por suas atitudes e decisões corajosas.

A Beneficência de hoje está na senda de seus fundadores, levando em frente os objetivos de então, os fortalecendo, enriquecendo e melhorando através de um trabalho sério, de equipes treinadas e voltadas para a qualidade de seus serviços, enriquecidos com tecnologia de ponta e abrangendo todas as áreas da Medicina, sempre preocupada em oferecer aos pacientes a melhor solução para os problemas e um ótimo conforto em sua estadia, bem como de seus familiares.

Os investimentos têm sido altos, a fim de prover o hospital de qualidade quer em sua hotelaria, em seus equipamentos, ou no preparo técnico de suas equipes, enfim, se destacando em sua área de atuação.

Nos orgulhamos da equipe que conseguimos montar, iniciando pelo mais humilde colaborador ao mais especializado, do corpo clínico de que dispomos e seu sempre atualizado conhecimento, do parque tecnológico instalado, enfim, tudo no intuito de oferecer o melhor para nossos pacientes, e o fazemos com a maior alegria e satisfação. O hospital oferece ainda um plano de saúde, o Saúde Maior, com atendimento de urgências e emergências nas 24 horas do dia.

Quero terminar fazendo duas considerações. A primeira, o nosso agradecimento à população de Pelotas e região pelo prestigio que nos dedica. O nosso simples, mas sincero obrigado.

A segunda, o destaque entre os fundadores, de seu principal motor, o comendador José Vieira Pimenta, a quem todos nós devemos e a cidade de Pelotas também. Agraciado pelo governo português com o titulo de comendador por seus relevantes serviços, um simples guarda-livros (contador), além de se entregar de corpo e alma à benemerência, foi ainda o primeiro colunista da cidade, reconstruiu a ponte sobre o arroio Santa Bárbara após ruir duas vezes (Floriano em frente ao prédio da Receita), entre outros benefícios entregues à cidade.


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