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Beleza: um direito de todos

Em outras palavras, a cirurgia plástica pode ser um instrumento maravilhoso capaz de aliviar o sofrimento das pessoas

11 de Fevereiro de 2013 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

O emérito cirurgião plástico, Ivo Pitanguy, chamado carinhosamente por seus discípulos espalhados pelo mundo de Professor, na sua obra Direito à beleza ensina que o ser humano busca na cirurgia plástica não a perfeição estética, mas um equilíbrio entre o seu aspecto físico e a sua autoimagem. Na minha experiência como seu aluno, de 1989 a 1992 e, depois, como cirurgião plástico especialista, observando meus próprios pacientes e aprendendo com eles, desenvolvi o conceito de que a beleza deve ser um direito de todos e não um privilégio de poucos.

Em outras palavras, a cirurgia plástica pode ser um instrumento maravilhoso capaz de aliviar o sofrimento das pessoas. É comum que muitos pacientes nem procurem auxílio médico por acreditarem equivocadamente que “plástica não é para eles”, tão baixa está sua autoestima. Para isso, contribui também uma visão, a meu ver, equivocada dos próprios profissionais de Medicina.

As outras especialidades médicas, por lidarem com doenças e problemas de saúde que ameaçam a vida, têm a tendência, muitas vezes, de enxergar a cirurgia plástica como supérflua ou como excesso de vaidade das pessoas. Não se dão conta de que a dor psíquica é, muitas vezes, tão ou mais deletéria do que a física. Muitos cirurgiões plásticos, por sua vez, misturam o seu próprio conceito estético e aspectos do seu ego, na avaliação do paciente, deixando de interpretar, adequadamente, a verdadeira causa da insatisfação deste.

Exemplo comum é o de pacientes que não se encontram no seu peso ideal e têm uma correção plástica do excesso de pele e gordura abdominal ou do volume e forma das mamas, contraindicada pelo cirurgião plástico que se recusa a operá-los caso não emagreçam antes da cirurgia. Ora, a não ser que o sobrepeso seja tanto a ponto de afetar a saúde e, consequentemente, aumentar o risco do procedimento, esse rigor do cirurgião em relação ao peso acaba apenas por excluir muitas pessoas da cirurgia tão desejada e necessária.

E isso simplesmente por elas não se enquadrarem num padrão de beleza que não deveria, no meu ponto de vista, ser aplicado como uma fórmula matemática, pois cada ser humano é física, psíquica e culturalmente único. O que esses pacientes querem é apenas se sentir melhor, com um contorno mais harmônico e não obterem uma perfeição estética que é, muitas vezes, o ideal do cirurgião. Aliás, este, inconscientemente, ao se posicionar como um verdadeiro “escultor da matéria viva”, acaba por se sentir dono dela, quando, na verdade, é simplesmente um médico com sensibilidade e técnicas a serem utilizadas conforme a necessidade de cada paciente que lhe pede auxílio, buscando a beleza desejada por eles individualmente e não por si mesmo ou por outrem. Os pacientes têm esse direito!


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