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Bate-papo com Michele Alsina, diretora presidente do Sanep

28 de Janeiro de 2022 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Marcelo Dutra da Silva, ecólogo
dutradasilva@terra.com.br

Diante das dificuldades que enfrentamos no saneamento e para tentar atualizar as informações que estou tentando incluir no meu livro, estive na manhã de quinta-feira, dia 20, na administração do Sanep para conversar com a diretora presidente Michele Alsina, a quem agradeço a receptividade e disposição para tratar de um tema tão espinhoso e difícil.

Foi uma conversa tranquila e produtiva, que me trouxe resposta a uma série de dúvidas, mesmo que alguns pontos não tenham ficado totalmente esclarecidos. Fiquei muito feliz em perceber na fala da Michele que ela tem amor pela instituição e defende a permanência da oferta pública do serviço prestado pela autarquia. O que é muito importante! Entretanto, reconhece o tamanho do desafio.

Uma das dificuldades apontadas foi a inadimplência, que diz ser muito elevada, particularmente neste momento de pandemia. Evidentemente, as dificuldades financeiras limitam os investimentos de ampliação do serviço e as manutenções se tornam mais demoradas, apesar de urgentes.

Segundo Michele, a gestão do lixo sob controle a administração anterior dedicou-se fortemente no abastecimento de água, com avanços significativos na captação, distribuição e controle de perdas. O acesso a água foi ampliado e o sistema se comporta com maior estabilidade e o mínimo de interrupções, afirmou. A boa notícia é que a ETA do São Gonçalo será entregue em breve e isso vai nos garantir um fornecimento seguro para a nossa população. Mas, e o esgoto?

Michele afirmou que, resolvida a questão da água, todas as atenções do órgão passarão a ser dadas ao afastamento e tratamento do esgoto. Ainda estamos distantes de uma solução, admite. Infelizmente, a ETE Novo Mundo vai demorar um pouco, a ETE Porto não está operante e a ETE Laranjal, que sempre operou com dificuldades, permanece em manutenção. Portanto, apesar da nossa capacidade limitada de tratamento, os problemas operacionais do momento nos impedem de atender esta demanda com eficiência. Comentou que a taxa é o que tem salvado a realização do serviço, mesmo que com poucas melhorias. E este foi um ponto interessante.

Atender a drenagem urbana, descrita como o "patinho feio", só têm sido possível com o alívio no caixa, pois não existe uma taxa para drenagem. No entanto, permitimos, licenciamos e avançamos com o espaço construído sobre áreas naturais úmidas de campo e banhado, que uma vez impermeabilizados, em algum momento, vão repercutir em novos focos de alagamento. Na prática, nossa falta de atenção ao crescimento urbano está gerando um problema para o qual não temos recursos para investir e resolver. Talvez esteja nos faltando um plano estratégico e essa foi uma das minhas questões.

Não ficou claro se temos ou não um plano municipal de saneamento básico. Sei que temos um plano de gestão integrada dos resíduos sólidos, é bem específico. O plano de saneamento compreende o conjunto de serviços, demandas, investimentos e metas. Portanto, bem mais amplo. Solicitei essa informação ao Portal da Transparência e estou aguardando o retorno. Também, não ficou claro se temos alguma estratégia para defender nossa água da presença de pesticidas, conforme os dados do Sisagua do Ministério da Saúde (2014-2017); se o licenciamento ambiental da barragem do Santa Bárbara foi concluído (fato levantado em fevereiro de 2019); se temos uma previsão para universalizar o nosso serviço de saneamento; e que políticas públicas poderiam ser implementadas para facilitar a gestão da autarquia e sua permanência enquanto órgão público, patrimônio de todos os pelotenses.


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