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Avanços e descobertas sobre as válvulas do coração

11 de Fevereiro de 2019 - 09h45 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Renato Kalil - cirurgião cardíaco e professor emérito do Programa de Pós-Graduação da Fundação Universitária de Cardiologia

O aumento da longevidade e a maior prevalência de idosos, que ocorre em função da vida mais longa da população, vêm junto com uma maior frequência de afecções degenerativas no coração. Além da aterosclerose, que afeta as artérias coronárias e causa angina e infarto, as lesões relacionadas à idade causam distúrbios no funcionamento das válvulas, cujo termo anatômico técnico correto é “valva”. De acordo com dados epidemiológicos, 1% a 2% da população com mais de 65 anos têm estenose (estreitamento patológico) da valva aórtica. Já naqueles com mais de 75 anos, a prevalência chega a 12%. Os levantamentos mostram ainda que a insuficiência mitral pode atingir 6% da população acima de 70 anos.

Válvulas são dispositivos que permitem a passagem de fluxo sanguíneo em um só sentido, fechando-se para impedir refluxo. No coração, as mais afetadas são a mitral, situada entre o átrio e o ventrículo, e a aórtica, entre o ventrículo esquerdo e a aorta. Quando uma delas está com problemas, o desempenho do coração é prejudicado e aparecem sintomas como tontura, fadiga e arritmia. Caso o defeito não seja corrigido a tempo, a situação clínica evolui para a invalidez e a morte.

A correção desses defeitos se faz por cirurgia, dando-se preferência para o reparo da valva doente, por técnicas de valvoplastia. Quando esse procedimento corretivo não é possível, a valva deve ser substituída por uma prótese. As cirurgias, quando realizadas a tempo e em boas condições, são de baixo risco e com excelentes resultados, levando à recuperação e retorno à vida normal.

Existem duas categorias de próteses disponíveis: as mecânicas, cujos componentes são cerâmica e tecido de Dacron; e as biológicas, feitas de tecido animal preparado para não reagir após o implante. A escolha da prótese adequada deve ser baseada em critérios técnicos e em acordo entre o cirurgião, o cardiologista e o paciente, que deve entender e participar dessa escolha. O objetivo deve ser a obtenção de bom resultado a muito longo prazo. A escolha nunca deve se basear em custo ou em estratégias de marketing, mas na experiência e no desempenho cientificamente comprovado.

Os implantes de próteses valvares podem ser realizados também por cirurgias mini-invasivas, através de pequenas incisões, ou mesmo por técnicas percutâneas, por cateterismo cardíaco, sem necessidade de abrir o tórax. Estas, entretanto, têm indicações bem específicas e a escolha da melhor abordagem deve ser criteriosamente avaliada. A equipe médica e o paciente, junto com seus familiares, devem participar da escolha da estratégia e do tipo de procedimento considerado de menor risco e de melhor resultado tardio, no benefício de uma vida longa e sadia.

Algumas das técnicas cirúrgicas utilizadas hoje com sucesso no mundo todo foram desenvolvidas aqui em Porto Alegre, por médicos e pesquisadores gaúchos. O conhecimento produzido no Rio Grande do Sul contribui para o avanço nos tratamentos e para as descobertas de novas maneiras de resolver os problemas das valvas, garantindo saúde e qualidade de vida a pacientes cardíacos de todo o mundo.


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