Editorial

Auxílio da ciência

01 de Maio de 2014 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A inovação em ciência é fundamental para o avanço em áreas críticas do país, como a saúde, por exemplo. Por isso, resultados - fruto de esforço intelectual intenso - como os alcançados por pesquisadores do Instituto Butantan, que identificaram os genes reguladores da intensidade de doenças inflamatórias, como a artrite reumatoide, precisam ser comemorados. Tais resultados podem levar à prevenção mais eficaz à doença. Mais: ao desenvolvimento de novos medicamentos.

De acordo com o vice-diretor do Instituto Butantan e coordenador do estudo, Marcelo de Franco, é sabido que a artrite reumatoide ocorre comumente em pessoas idosas, porém os fatores que a causam ainda não são plenamente conhecidos pela ciência. “A artrite é uma doença complexa, pois há vários fatores interagindo. Fatores ambientais, mas fatores genéticos também. A complexidade se dá pelo somatório dos dois”, disse.

A artrite começa como um processo inflamatório nas articulações, que pode chegar a um quadro sistêmico de febre, lúpus ou problemas renais. “É uma síndrome que evolui para vários órgãos”, explicou o pesquisador. Segundo ele, a doença pode ser desencadeada por razões diferentes como uma infecção viral, bacteriana ou até mesmo estresse.

Por ser uma doença autoimune, o corpo começa a produzir anticorpos e células contra alguns antígenos das articulações, principalmente colágeno e estruturas do tecido. Os tratamentos atuais utilizam anticorpos monoclonais para bloquear a ação de algumas proteínas. “Por exemplo, tem anticorpos que são terapêuticos e bloqueiam a ação de proteínas como a que causa a inflamação”, disse ele.

O que o estudo do Butantan fez foi identificar como um gene interage com o outro para desencadear um menor ou maior grau de artrite. Com os avanços, os pacientes poderão receber prognósticos mais precisos. “A identificação deles pode gerar um sistema de biomarcadores. Se a pessoa tem aquele gene exacerbado é um péssimo sinal”, exemplificou.

A pesquisa, que está na fase de testes em camundongos, quer, no futuro, produzir medicamentos capazes de atuar especificamente no mecanismo em que cada gene atua. “Há vias gênicas que podem ser reguladas por medicamentos. Então, se sabe qual a via que você pode usar e qual o melhor medicamento vai atuar naquela via”, explicou o pesquisador.


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