Ponto de Vista

Assaltado. Esse cara sou eu

Enquanto trocávamos o pneu, surgiram do mato dois homens, um deles empunhando um revólver

12 de Fevereiro de 2013 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Lino Tavares, jornalista

Na madrugada de sexta-feira (8), véspera do Carnaval, deslocando-me de automóvel de Porto Alegre para o meu apartamento de veraneio no Balneário Itapirubá, em Laguna-SC, tive um pneu da frente estourado ao passar sobre uma pedra colocada na estrada por bandidos, como armadilha para brecar veículos e assaltar motoristas. Enquanto trocávamos o pneu, surgiram do mato dois homens, um deles empunhando um revólver, que apontou para a cabeça do meu filho, ordenando que deitasse de bruços. No meu carro havia uma arma, mas não pude nem pensar em usá-la, pois isso significaria atiçar o bandido a disparar a dele contra o rapaz, o que seria fatal. Com a situação dominada, eles se apossaram do meu revólver, que estava numa pochete com o documento de porte, fornecido pelo Ministério da Defesa, sumindo no mato sem atirar em ninguém e sem nada mais levar. A rigor, fomos salvos de um dano maior pela arma que eu carregava, mesmo sem tê-la usado, já que ela satisfez o 'apetite criminoso' dos meliantes, embora houvesse coisas de maior valor para ser levada, inclusive dinheiro.

A viagem feita na madrugada - algo desaconselhável - tinha como finalidade evitar os "engarrafamentos" rodoviários, que ocorrem na BR-101 nos dias de grande movimento, motivados pelos pontos de estrangulamento existentes nas obras de duplicação, ainda não concluídas em função da incompetência governamental. Mesmo tendo saído de Porto Alegre à meia-noite, não consegui escapar do estressante "engarrafamento", não pelo assalto em si, que foi rápido e sem maiores consequências, mas por dois motivos, também relacionados ao desgoverno que aí está, em todas as esferas do poder.

O primeiro deles, deveu-se ao tempo perdido durante uma revista em nossos veículos, realizada no posto da PM, na RS-30, pela mesma polícia que, estática em sua 'casamata', deixava de patrulhar o pequeno trecho de 19 quilômetros - mal iluminado e cercado de mato - no qual fomos assaltados sem a menor proteção. O segundo motivo do retardamento da viagem verificou-se na Delegacia de Polícia de Tramandaí, onde o funcionário teve que 'fazer das tripas coração', para conseguir tirar uma cópia mais ou menos legível do registro da ocorrência, usando uma impressora em mau estado de funcionamento, certamente sucateada, como todo material empregado no serviço público, hoje em estado de abandono, que vai de uma simples impressora de delegacia ao mais avançado avião-caça da Força Aérea Brasileira.


Comentários

  • Maurício Pons - 13/02/2013
  • Albert Van Cahenegen - 12/02/2013
  • Everson - 12/02/2013

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