Editorial

As barreiras da educação

12 de Junho de 2019 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

O Brasil quer zerar em cinco anos a proficiência inadequada em leitura e em matemática entre as crianças no final do 3° Ano. E hoje, essas dificuldades, estão em 55% e 54%, respectivamente, o que revela uma enorme barreira para se atingir a Meta 5 do Plano Nacional de Educação (PNE) em tão curto espaço de tempo.

Segundo a Avalição Nacional de Alfabetização (ANA 2015), debatida no início dessa semana pelo Instituto Ayrton Senna com educadores e especialistas, mais da metade das crianças brasileiras encerram hoje o 3° Ano do Ensino Fundamental sem conseguir ler e compreender textos variados. Levam adiante, portanto, nas séries seguintes, enorme dificuldade, que passa a ser mais uma pedra no caminho do aprendizado e a frear o desenvolvimento potencial de cada jovem.

Presente no evento, o economista-chefe do Instituto Ayrton Senna, Ricardo Paes de Barros, fez ainda um alerta: no diagnóstico da alfabetização no Brasil, meninos e meninas pobres estão se alfabetizando um ano mais tarde do que os ricos, logo, a "largada" do sistema educacional já é injusta do ponto de vista de uma sociedade com os mesmos direitos para todos.

O tema, claro, passa pelas ações dos municípios em propor alternativas que combatam a evasão escolar, as dificuldades de aprendizado e as altas taxas de analfabetismo. Uma dificuldade quando, por melhores que sejam as intenções, a política prevalece em relação ao compromisso com o ensino.

Garantir à criança uma educação de qualidade - e a rede pública consegue fazer isso, sim - é permitir que ela chegue lá na frente em condições de ter uma vida melhor a partir das conquistas advindas de livros e cadernos e tudo o que representa à pessoa o conhecimento de mundo, de saber tirar suas próprias conclusões no momento em que precisar decidir. As consequências do trabalho inicial na escola - com grande relevância ao papel do professor - são para sempre e podem transformar os indivíduos.


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