Editorial

Alerta até de apagão

08 de Abril de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

O humor do brasileiro que busca se manter atualizado sobre a realidade do país no enfrentamento à pandemia vive de altos e baixos. Muito mais baixos do que altos, é verdade. Mas em alguns momentos há notícias que fazem crer em boas novas que nos levem a uma arrancada rumo ao fim desse pesadelo. Por exemplo: nas últimas semanas remessas maiores de vacinas desembarcaram em diversas regiões - incluindo o Rio Grande do Sul - e provocaram uma pequena aceleração na imunização a ponto de termos chegado pela primeira vez à marca de um milhão de aplicações em 24 horas.

Coincidentemente, a data em que se pôde celebrar esse milhão de brasileiros vacinados em um único dia foi o 1º de abril. Parecia um recado de que a esperada bonança seria falsa. Isso porque o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) alerta para o risco de o Brasil sofrer nas próximas semanas um apagão de vacinas. A avaliação é de que o país continua vivendo a incerteza sobre a entrega de doses prometidas pelo Ministério da Saúde - que a cada momento tem novas projeções - somada à dificuldade de importação de insumos chineses para que o Instituto Butantan acelere a produção.

Ou seja, no momento em que aparentemente o país se encaminha para a meta diária de imunizar 1,5 milhão de pessoas por dia, surge o aviso por parte dos gestores de saúde nos Estados de que nem tudo estaria tão garantido quanto parece. Um problema que, se confirmado, agravaria ainda mais a catástrofe da pandemia. Se há alguns meses pensar em mil mortes diárias por coronavírus já era um absurdo, o que dizer agora, quando temos quatro mil vítimas a cada 24 horas? Mais do que toda a população de Arroio do Padre, Pedras Altas ou Turuçu. Ou como se, em dois dias, todos os moradores das três cidades deixassem de existir.

O alerta do Conass é grave. Mesmo que não haja manifestação oficial neste sentido por parte do governo federal via Ministério da Saúde, indica que há, no mínimo, falhas de planejamento. Afinal, quem executa a aplicação das vacinas na ponta, atendendo a população, são os estados e municípios. E se eles não conseguem entender o que está sendo executado e sentem insegurança quanto à continuidade sem interrupções do Plano Nacional de Imunização, bom sinal não pode ser.

Pode parecer repetitivo, contudo é essencial que se repita a cobrança por clareza nos rumos do Brasil no combate à pandemia. Não é possível que os responsáveis por coordenar as ações contra a Covid-19 consigam acreditar nos próprios discursos de que estamos no caminho certo. Mais de quatro mil mortes por dia, ameaça de falta de vacinas, novas variantes se disseminando, países fechando fronteiras aos nossos cidadãos… Tem muita coisa errada.


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