Editorial

Ainda há muita incerteza

29 de Novembro de 2021 - 18h24 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Como costuma a aparecer em alguns memes destes que se espalham por grupos de mensagens e redes sociais, "o brasileiro não tem um minuto de sossego". Talvez seja o que melhor resume as recentes e ainda não definitivas informações a respeito da nova variante do coronavírus que começa a se espalhar rapidamente pelo mundo. O que, neste caso, amplia o desassossego da frase para bem mais do que a população brasileira.

Muito além do nome incomum ao vocabulário da maioria da população, a cepa denominada ômicron carrega consigo um sinal de alerta a todos os cantos do planeta por conta justamente daquilo que não se sabe sobre ela. A ponto da Organização Mundial da Saúde (OMS) ter alertado ontem que há "risco muito elevado" com a nova variante. Embora, felizmente, até o momento ainda não exista registro no mundo de alguma morte atribuída a tal variante, autoridades e pesquisadores da área da saúde ainda não são capazes de apontar com alguma certeza que espécie de "vantagem" evolutiva a ômicron possui sobre as cepas do vírus descobertas anteriormente. Aliás, sequer se pode garantir que exista alguma nova capacidade nesta mutação.

Entre as incógnitas que novamente colocam o planeta em alerta estão, por exemplo, a possibilidade da ômicron ser mais contagiosa, ou de gerar sintomas mais graves, ou de ser resistente aos imunizantes já desenvolvidos e não ser combatida pelo organismo de quem está vacinado. Uma ou mais destas características, no momento atual, colocaria em risco o avanço da proteção contra a Covid-19 no mundo, segundo cientistas, podendo causar novos picos da doença e todos os gravíssimos impactos conhecidos da sociedade.

O pouco que se sabe por enquanto sobre a nova cepa, identificada inicialmente na África do Sul, é que seria reflexo do baixo índice de vacinação da população local, onde menos de 25% das pessoas está plenamente imunizada. O que, sabidamente, é um prato cheio para que o vírus se dissemine e gere variações.

Pode parecer chato, repetitivo ou, para os mais radicalmente resistentes à ciência, conversa politicamente contaminada. Contudo, é um fato: vacinar-se é a melhor forma de superar o coronavírus. Não só por proteger-se como indivíduo, mas agindo como cidadão e contendo o avanço do vírus. De nada adianta parte das pessoas atender aos chamados e receber suas doses se outra parcela age irresponsavelmente convivendo em sociedade sem tomar a vacina.

Lamentavelmente muitos países pobres foram esquecidos no esforço que deveria ser mundial de combate à Covid-19. O castigo é que, agora, até mesmo territórios com amplo alcance das vacinas estão sob risco. O que, em escala macro, reforça o quão fundamental é que todos recebam suas doses. Sem isso, continuaremos vivendo sob a permanente incerteza e sem um minuto de sossego.


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