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Agora no lado vencedor

16 de Fevereiro de 2019 - 07h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Sergio Cruz Lima

No início do século 20, pesados impostos provocam crescente desespero entre a população pobre da Rússia. A fragorosa derrota sofrida pelo país na Guerra Russo-Japonesa, no biênio 1904/1905, agudiza o já grave problema social. E o descontentamento popular se agiganta. A agitação político-social e, de modo particular, os disparos feitos por guardas do tzar em São Petersburgo contra uma multidão de desempregados, que protestava pacificamente, obrigam Nicolau II, em 1906, a estabelecer um parlamento: a Duma. Os parlamentares exigem que o regime absolutista seja transformado em monarquia constitucional. O tzar nega. A Duma é fechada. Os distúrbios continuam. Neste ínterim, a Rússia alia-se a França e Grã-Bretanha. Explode a Primeira Guerra Mundial.

Ainda em 1914, os russos, que haviam invadido a região leste da Prússia, são derrotados na batalha de Tannenberg. Obtém mais sorte ao conquistar a província austríaca da Galícia, mas o sucesso tem curta duração: são expulsos alguns meses depois por tropas austro-húngaras e alemãs. Pior: no ano seguinte, perdem a Polônia, que é absorvida pela Alemanha. Assolado pelo andamento trágico do conflito, em março de 1917, o governo russo arrosta novos distúrbios em São Petersburgo. O tzar abdica. A dinastia Romanov - mais de 300 anos! - chega ao fim. Um governo provisório é constituído. Em novembro, durante a Revolução de Outubro, o partido bolchevista de Vladimir Lenin, que advoga uma revolução socialista, assume o poder. Em março de 1918, a Rússia pós-revolucionária se retira do conflito mundial. Segue os termos do Tratado de Brest-Litvosk, que assina com a Alemanha.

Mas a agitação permanece. Uma guerra civil se instala entre duas facções políticas adversas: os Vermelhos, bolcheviques, e os Brancos, russos conservadores, que durante um certo tempo são apoiados pelas forças aliadas.

A partir de 1918, o Partido Comunista Russo, como os bolcheviques passam a se nominar, derrota os Brancos e alcança a vitória. O tzar é fuzilado. Quatro anos depois, nasce a União Soviética, que engloba a própria Rússia, a Ucrânia, a Bielorússia e a República Socialista Federativa Transcaucasiana, que reúne a Geórgia, a Armênia e o Azerbaijão.

Lenin morre em 1924. Com a sua morte, líderes bolcheviques disputam o poder. Stalin, o "homem de aço", derrota os adversários e vence a guerra política instaurada. Em 1927, Stalin é o líder inconteste do Partido Comunista e, já no ano seguinte, lança dois programas: um de expansão e coletivização da agricultura; outro para desenvolver, com rapidez, a indústria nacional. Milhões de pessoas morrem de inanição, sendo que 10 milhões na Ucrânia, no que fica conhecido como "A Grande Fome", no biênio 1932/1933. Segue-se um período de perseguições políticas. Nos chamados "grandes expurgos", de 1935 a 1938, Stalin elimina a oposição política a seu governo. Os "velhos bolcheviques", integrantes da intelligentsia, oficiais do exército e milhões de outros indivíduos são presos: uns executados, outros enviados aos campos de trabalho do "Gulag". Via desses métodos brutais, o Estado se torna mais poderoso e a população agrícola e industrial cresce rapidamente. Mas a União Soviética, hoje desfeita, será devastada por um novo conflito mundial. Desta vez, porém, a Rússia, diversamente de 1914, estará no lado vencedor!


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