Opinião

Aberta a temporada das promessas

23 de Junho de 2022 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por João Carlos M. Madail
Conselheiro do Corecon-RS e diretor da ACP

O Brasil vive mais um ano eleitoral e, como de costume, estamos diante do período dedicado à propaganda, ocasião em que os candidatos fazem de tudo para ganhar o voto dos eleitores, obrigados a votar sob pena de sofrerem penalidades, na forma de multa, caso não justifiquem a razão das suas ausências. Para a maioria da população que já passou por episódios eleitorais, onde promessas de mudanças de vida melhor para todos foram exaltadas em brados retumbantes pelos candidatos e nada ou muito pouco foi cumprido, reviver este cenário tem se tornado enfadonho. Mesmo assim, é importante que o eleitor tenha a mínima noção do que está sendo proposto e do que realmente é permitido a um candidato realizar, afinal só se pode cobrar aquilo que é possível de ser feito.

É bom que se saiba que desde 2010 o candidato ao cargo de Executivo, deve apresentar o seu programa de governo no ato de registro da sua candidatura. Como o papel aceita tudo, é comum o candidato prometer a redução de impostos, já que interessa diretamente à população trabalhadora; melhorias na saúde, que tem sido tema recorrente em todos os tempos, especialmente na pandemia; atenção especial à educação, em função da precariedade do ensino público em todos os níveis; a garantia da segurança pública, que aflige a população em todo o território nacional. Enfim, temas de interesse direto dos eleitores. Então, porque tais promessas não são cumpridas após cada eleição? A resposta é simples: por mais boa vontade que os candidatos eleitos tenham no cumprimento das suas promessas, elas são difíceis de serem cumpridas por depender de aprovações, muitas vezes de rivais políticos, ou até por serem inviáveis, em função do curto espaço de tempo que dispõem num mandato. O correto seria a punição do político por descumprimento de promessa, mas a questão é complexa. No caso da Presidência da República, todas as propostas passam pelo Congresso Nacional e, se o número mínimo necessário de parlamentares para a aprovação for desfavorável, de nada adiantou a promessa.

Fica claro que nem sempre as promessas podem ser facilmente cumpridas, o que obriga a população a se manter vigilante, mesmo após a eleição, na fiscalização dos seus representantes em relação ao seu cumprimento ou que sejam justificadas, ou declaradas inviáveis. Não há dúvida sobre a importância do eleitor consciente e vigilante sobre o seu papel na escolha dos seus representantes para garantir que as promessas eleitorais sejam cumpridas, começando pela pesquisa do histórico do seu candidato, permanecendo atento no decorrer do seu mandato, cobrando as promessas escritas ou declaradas nos discursos inflamados, o que pode elevá-lo a patamares superiores, quando cumpridas ou acabar de vez com a sua pretensão a reeleições.

Os políticos deste século devem saber que entrar na política, em tempos de internet, requer perfil próprio ou muito jeito, pois a conquista de um mandato político alcançado por meio do voto é uma verdadeira guerra, e que na política não existe lógica, ou seja, é difícil distinguir o raciocínio correto do incorreto. É comum se dizer que o político faz acordo com Deus e com o Diabo, em nome, sobretudo, da governabilidade. Todo bom governante deve fazer acordos políticos para ter sucesso no seu governo. O que os eleitores não mais admitem é que façam promessas, muitas vezes milagrosas, para conquistar votos dos eleitores menos atentos para depois não cumprirem nem mesmo aquilo que era possível realizar, o que se configura como “estelionato eleitoral”.

Neste pleito, vamos questionar sobre os planos de governo apresentados e exigir respostas de onde sairão as receitas para executá-los. Afinal, vamos eleger o político que está prometendo melhorar o nosso país e, por conseguinte, a vida de todos nós.


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