Opinião

A volta da confiança na economia brasileira

25 de Junho de 2022 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Ricardo Caldas
Economista e cientista político, especialista da Fundação da Liberdade Econômica

Os números surpreenderam até os mais céticos. O IBGE anunciou que o PIB sofreu aumento de 1% no primeiro trimestre, abandonando os economistas mais pessimistas que previam recessão em 2022 ou crescimento máximo de apenas 0,28% ao ano, na melhor das hipóteses, segundo o primeiro Boletim Focus de 2022. Os indicadores não justificavam tamanho pessimismo, mas o mercado preferiu dobrar a aposta e pagar para ver.

Os dados do Caged insistiam em desmentir a tese pessimista: mais de 150 mil empregos gerados em janeiro de 2022, 333 mil em fevereiro, 88 mil em março e quase 197 mil em abril. Um total de cerca de 770 mil empregados em 2022. Ora, esse montante em apenas quatro meses (janeiro a abril) corresponde a uma média de quase 200 mil por mês, muito próximo da média mensal de 2021, quando foram gerados 2,7 milhões de empregos no ano, com média de 225 mil novas vagas. Se em 2021 a economia cresceu 4,6%, em 2022, ao gerar quase 200 mil novas vagas por mês, o crescimento do PIB não poderia ser de apenas 0,28% (ou entrar em recessão) como os analistas financeiros e de investimentos acreditavam.

Algo estava errado. A geração de empregos não confirmava o pessimismo. Este, baseados apenas nos números da inflação, que eram altos: IPCA de 0,54% em janeiro, 1,01% em fevereiro, 1,62% em março e 1,06% em abril, apenas nos primeiros quatro meses do ano, e 12, 13% em doze meses, a mais alta em quase 20 anos desde 2003.

Muitos economistas julgaram, ingenuamente, que o governo colocaria o combate à inflação acima do crescimento do PIB e da geração de empregos em ano eleitoral. No Brasil, eleições prevalecem sobre o combate à inflação desde 1982, quando Delfim Neto buscava combater a inflação no meio de um processo de descompressão política durante o governo Figueiredo (1979/195). A sabedoria política diz que a inflação se combate no ano anterior ou subsequente ao da eleição e não durante as eleições. 2022 não seria diferente?
A queda no total de seguro desemprego de 674.632 em março para 567.224 em abril (redução de 15,9% em um único mês) e crescente estoque mensal de empregos de 40,7 milhões em dezembro de 2021 para 40,8 milhões em janeiro para 41,1 milhões em fevereiro, 41,2 milhões em março e 41,4 milhões em abril deveria ter indicado que movimento importante estava ocorrendo.

Outro sinal ignorado foi a queda constante do desemprego, medido pela Pnad, de 14,8% em abril de 2021 para 10,5% em abril de 2022. O fato é que os números do PIB do primeiro trimestre de 2022 (+1%) quando comparados com o quarto trimestre de 2021, obrigaram a grande maioria dos economistas e instituições financeiras a rever estimativas quanto ao crescimento econômico. Cabe lembrar que o resultado do primeiro trimestre vem crescendo após dois resultados anteriores também de crescimento econômico no terceiro e no quarto trimestre de 2021.

Dessa forma, o PIB brasileiro está situado 1,6% acima do período pré-pandemia (4º. tri/ 2019) e próximo do nível mais elevado da atividade econômica do país, no primeiro tri de 2014. O IBGE nota que o crescimento do PIB no primeiro tri de 2022 foi puxado pelo setor de serviços, de comércio, pela indústria e pela construção civil. O consumo das famílias, responsável por mais de 60% do PIB, continua crescendo uma média de 0,7% por trimestre desde o terceiro trimestre de 2021.

Onde está a recessão então? Em virtude de todos esses fatores, os economistas do setor privado foram obrigados a rever estimativas para a economia brasileira. Dessa forma, segundo a última atualização do Boletim Focus, as estimativas para o PIB cresceram de 0,28% em janeiro de 2022 (com viés de baixa), para 1,20% em 2022 em junho. Com essa forte guinada nas expectativas, o lema pode ser: “Adeus pessimismo, que venha 2022”. Portanto, a confiança do mercado na economia brasileira está de volta.


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