Artigo

A verdade sobre Pio XII

04 de Dezembro de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Sergio Cruz Lima

Em 1939, morre Pio XI. O Conclave dos Cardeais elege Eugênio Pacelli, ex-Secretário de Estado da Santa Sé, para sucedê-lo. Um dos religiosos mais respeitados e poderosos da Itália, Pacelli se torna o papa Pio XII, que entra para a história ocidental como o alvo de polêmicas que envolvem a Igreja Católica e suas ações durante a Segunda Guerra Mundial. Ao tomar posse no trono de Pedro, Pio XII sabe que terá diante de si um desafio sem precedentes: guiar a Igreja e posicioná-la no tabuleiro europeu, no qual a ameaça nazista começa a aterrorizar as nações independentes.

A guerra é iminente. A truculência e o racismo mortal dos nazistas são a marca da sua política imperialista, que não só subjuga a Europa, como também pretende eliminar no fuzil ou nas câmaras de gás as minorias raciais, em especial os judeus. Em 1º de setembro de 1939, Hitler invade a Polônia. A Segunda Guerra Mundial eclode na Europa. O exército nazista avança pelo continente anexando e massacrando, deixando um rastro de sangue. Diante disso, os aliados declaram guerra ao agressor. Tem início o mais sangrento período do século 20. No Vaticano, Pio XII observa os horrores dos combates e tem que definir a posição da Igreja perante o mundo. Mas ele não declara repúdio a Hitler nem se coloca ao lado dos aliados. Simplesmente silencia e a História, equivocadamente, lhe confere um título: papa omisso. Nesse meio perigoso, onde qualquer palavra proferida por uma autoridade a coloca em posição de aliado ou inimigo, Pio XII opta pela postura discreta, que soa como uma aparente neutralidade. Seus críticos alardeiam que o papa foi negligente. E esse título seria realmente coerente se não houvesse toda uma história por detrás do silêncio papal. E a ação de Pio XII em defesa dos judeus de Roma e da Europa é muito mais ampla do que então se poderia pensar.

Por detrás do silêncio e da suposta omissão papal escondia-se um segredo hoje revelado por documentos oficiais secretos. Havia, em verdade, uma rede secreta de ajuda humanitária, que tinha ligação com a Cruz Vermelha e que fornecia documentos falsos, vistos de imigração e abrigo para milhares de judeus que chegavam ao Vaticano fugindo do horror nazista. O esquema montado contava com criptógrafos profissionais, padres disfarçados e dezenas de esconderijos secretos em igrejas e conventos. O próprio papa doou ouro dos cofres vaticanos para o gueto de Roma, a fim de que se negociasse uma trégua com os alemães; cerca de três mil judeus foram acolhidos em Castelgandolfo; mais de cinco mil conseguiram abrigo em conventos e mosteiros do Vaticano e áreas ligadas à Santa Sé.

Quando se tem milhares de vidas em jogo, como é o caso, há que se ter muito cuidado para não condená-las com atos radicais. E Pio XII agiu em silêncio, repito, porque era o único modo de manter a sua ajuda. Caso contrário, ao se posicionar abertamente em favor dos perseguidos, estaria apontando-os, e junto a eles, se tornaria um alvo. Se dizem que na guerra tudo é válido, a prudência do papa que conseguiu salvar 800 mil vidas na Europa se justifica totalmente, mais ainda quando seu objetivo foi unicamente ajudar, sem ambição alguma de fazer propaganda política. Hoje, 56 anos após a morte de Pio XII, as injustas acusações contra o pontífice são absolutamente refutadas.


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