Editorial

A vacina russa é um mistério

12 de Agosto de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Cautela. A palavra é a mais usada desde as primeiras horas da manhã de ontem pelas autoridades mundiais envolvidas no combate ao novo coronavírus (Covid-19). Tudo em função do anúncio pelo presidente da Rússia, Vladmir Putin, de que seu país alcançou a primeira vacina contra a doença e dará início à imunização em massa a partir do próximo mês, com prioridade aos profissionais da saúde.

Pouco tempo depois do pronunciamento de Putin, o porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tarik Jasarevic, foi incisivo sobre a notícia do dia: "Acelerar o progresso não deve significar comprometer a segurança", declarou, em entrevista coletiva.

O que mais chama a atenção da OMS é o fato de a vacina russa não estar na lista das seis em estágio mais avançado, destacadas pela própria instituição na semana passada. Para tanto, deveria seguir os procedimentos e a revisão estabelecidos pela agência, algo que vem sendo desconsiderado pelo país e motivo para o mundo pouco conhecer sobre sua produção.

Uma nova vacina deve passar por três fases até ser aceita pela comunidade mundial. Inicialmente, ser submetida a uma avaliação que garanta a segurança do imunizante. Depois, avançar com o estudo clínico com voluntários e, por último, ser submetida a ensaios em larga escala. E o alerta da OMS é justamente para os testes russos, que até então encontravam-se na primeira etapa, segundo o último relatório emitido pela Organização, em 31 de julho, com avaliações em apenas 38 pessoas.


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