Editorial

A torcida é pelo Brasil, mas...

26 de Junho de 2014 - 06h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Falar mal da Seleção em plena Copa do Mundo, realizada no nosso país, pode levar qualquer um à fogueira. Para os torcedores fanáticos - que viram patriotas a cada quatro anos e se vestem de verde e amarelo -, é inaceitável neste momento lançar críticas ao time que busca o hexacampeonato, mesmo jogando mal, como vem acontecendo. Mas tem sido difícil para quem já assistiu a times muito melhores, em outros momentos, ter de fazer esse esforço de torcedor. E no futebol, quando as pessoas precisam engolir os resultados, sabendo que as vitórias foram construídas com apresentações duvidosas, algo realmente vai mal.

A Seleção Brasileira não empolgou ainda. Nós, os torcedores, principalmente os gaúchos, vibramos muito mais com os uruguaios em campo. Gritamos nos gols da Celeste, nos impressionamos com a garra do time de Suárez e Cavani. Queremos na Seleção aquele lateral que tomou uma pancada na cabeça e brigou para não deixar o campo. E rezamos toda vez que os ataques adversários avançam sobre os nossos laterais, já apelidados no centro do país de avenidas.

Há vagas na Seleção Brasileira para muita gente, no lugar de quem não merece, hoje, pela qualidade que apresentou em três jogos, vestir a camisa de titular. A cobrança sobre o técnico Luiz Felipe Scolari é grande pela manutenção do volante Fernandinho no lugar de Paulinho. Hulk e Fred igualmente estão muito abaixo do esperado. Se estivessem em um clube e não na Seleção, teriam torcedores cobrando ao pé de ouvido mais futebol. Talvez até que fossem embora.

Por isso, muitos brasileiros passaram a se perguntar o que será da equipe se Neymar ficar fora de uma partida ou tiver um daqueles dias ruins, de pouca inspiração, marcado de perto durante os 90 minutos. O Brasil não saberia o que fazer, pois não teria alternativas. Neymar é um craque, mas nem sempre poderá carregar sozinho o piano. Na Argentina é assim, com Messi. Portugal, de Cristiano Ronaldo, o melhor do mundo, praticamente já disse adeus; a Inglaterra de Rooney, a Espanha de Iniesta e a Itália de Pirlo já fracassaram. Craques que não tiveram pernas para superar sozinhos 11 adversários.

Contra o Chile, no próximo sábado, Felipão acena com a primeira mudança desde o início do torneio. Poderá mesmo trocar Paulinho por Fernandinho. Mas não será nenhuma surpresa se a mesma equipe que vem jogando sem empolgar entre em campo. Felipão não gosta de mudanças. Foi campeão do mundo desse jeito. E logo contra o Chile, outro time que encantou nossa torcida por seu bom desempenho. Todos vão torcer pelo Brasil no sábado e muitos para que o futebol dos jogadores finalmente apareça. Vão fazer força para aceitar um time que ainda não deslanchou e pode ser campeão.

 


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