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A suba no preço dos combustíveis e o impacto em nossas vidas

04 de Março de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Lênin Landgraf, professor, mestrando em História

Desde 2017, quando o então presidente Michel Temer alterou a política de preços praticada pela Petrobras, o consumidor passou a acostumar-se a enfrentar alta após alta nos preços dos combustíveis. A política adotada por Temer e continuada por Jair Bolsonaro nos coloca à mercê do preço do dólar e da flutuação internacional do preço do petróleo, que recentemente vem subindo com força.

O preço de uma política econômica errônea é visto, sentido e pago por toda a população. Com a brutal desvalorização do real frente ao dólar, só este ano a estatal brasileira já anunciou cinco reajustes para a gasolina e quatro para o diesel. Com o último reajuste, de cerca de 5%, só em 2021, a gasolina acumula uma suba de cerca de 40% nas refinarias e o diesel de 34%, valores absurdamente maiores que a inflação média nacional.


As constantes subas obviamente foram repassadas ao consumidor final. Segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), hoje o valor médio da gasolina no Rio Grande do Sul é de R$ 5,02 _ pesquisa essa feita antes do anúncio do último reajuste -, sendo o valor mais alto encontrado na cidade de Bagé por R$ 5,94. Em nossa região, quem transita por Pelotas ou Rio Grande, também já percebeu o impacto nas bombas de combustível, devendo o valor da gasolina ultrapassar os R$ 6,00, pela primeira vez na história, nos próximos dias. Por esse tipo de marca histórica ninguém gostaria de passar.


E a perspectiva não é nada animadora. O real não demonstra que pode se recuperar tão cedo, em desespero pela insatisfação geral da população, puxada principalmente pelos caminhoneiros, com o preço do diesel, Jair Bolsonaro tenta intervir nos preços, mas de forma que desagrada o mercado. Na tentativa de acalmar os caminhoneiros, o líder do Executivo anunciou que diminuiria os impostos sobre o diesel e o gás de cozinha, em contrapartida, anunciou também, que aumentará a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos, de 20% para 23%, além disso, limitar a isenção de IPI para a compra de carros - acima de R$ 70.000 - por pessoas com deficiência. A reação do mercado foi imediata, com grandes quedas nas ações dos principais bancos do país.


Mas a principal questão que deve ser levada para a população é a de que muitas pessoas se questionam: não tenho carro, então não devo me preocupar com isso tudo, certo? Errado! Além de afetar diretamente a parcela da população que possui carro, arrocha os trabalhadores e trabalhadoras de aplicativos e táxis e os caminhoneiros. Não obstante, o preço dos alimentos já estar em patamares estratosféricos, a suba dos combustíveis também irá reverberar nos alimentos. A lógica é simples: aumenta o valor do combustível, aumenta o valor do frete e todos esses aumentos são repassados aos produtos, sendo sentidos nas prateleiras. Não esqueçamos, também, do gás de cozinha, que afeta diretamente a todos nós.


Não há solução! Enquanto governo e mercado não se entendem e enquanto a política econômica não mudar, quem pagará a conta certamente seremos nós.

 


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