Opinião

A riqueza que existe nas bibliotecas públicas escolares

28 de Junho de 2022 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Carolina Rehling Gonçalo
Professora da Rede Básica de ensino de Pelotas, doutora pela UFRGS

Ao entrarmos numa escola pública a biblioteca está localizada em uma sala, muitas vezes pequena, em muitos casos sem uma bibliotecária, existente em todas as escolas, universalmente, encontramos o que pode ser uma joia, um tanto esquecida, as vezes empoeirada, mas ainda assim tão necessária e potente no mundo que está aí.

Nas últimas décadas as bibliotecas públicas escolares passaram por um período em que receberam diversas obras provenientes de projetos governamentais, como o PNBE, Plano Nacional da Biblioteca da Escola, alguns com valorização das histórias em quadrinhos, de clássicos universais e de obras significativas de autores brasileiros. Seus acervos, compostos por livros que atravessam gerações, doações, livros “obrigatórios”, livros de incentivo e formação de leitores, provenientes de diferentes projetos fazem com que estes acervos sejam característicos do espaço que ocupam, pois, são livros que fogem da demanda de mercado.

O espaço que é socialmente imprescindível, que é de todos, dos que vieram e dos que virão nos presenteia com livros muito diferentes dos que encontramos nas vitrines das livrarias, sejam digitais ou físicas. As obras das bibliotecas públicas escolares muitas vezes apresentam aos seus leitores autores consagrados como Jorge Amado, Raquel de Queiroz, José Mauro de Vasconcelos, Clarice Lispector, Ruth Rocha, entre muitos outros, ao mesmo tempo em que possibilitam o conhecimento de novos autores brasileiros ainda jovens como Marcello Quintanilha que, quando adaptou para os quadrinhos o clássico nacional O Ateneu, na época estava inserindo-se no mercado editorial e atualmente é um quadrinista premiado mundialmente. Assim como Quintanilha muitos foram os autores brilhantes, no início de suas carreiras contemplados nestes projetos que levaram obras relevantes às bibliotecas escolares.

O que poucos sabem, ou que momentaneamente esteja um pouco esquecido, é que neste espaço encontramos um mundo de conhecimento, de possibilidades, de primeiras leituras que podem despertar paixões tão fortes capazes de acompanharem os futuros leitores por toda vida e de transformarem essa vida. Não é qualquer espaço envolvendo livros que pode oferecer aos leitores uma obra como: Capitães da areia, de Jorge Amado, que nos apresenta um grupo de meninos de rua liderados por Pedro Bala, obra essa capaz de humanizar, de fazer com que o leitor reflita sobre o Brasil da década de 1930 e o país que vivemos atualmente, sobre suas perspectivas de futuro, de acolhimento a aqueles que sofrem diariamente as mazelas da desigualdade, obra essa, tão atual.

Ou, ainda, podemos nos deparar com Sabores da América, de Ana María Pavez e Constanza Recart, cujo nome desperta a curiosidade do leitor para a descoberta de parte da nossa identidade enquanto latinos, dos sabores que estão presentes na nossa mesa e que fazem parte da nossa história trazendo inclusive receitas.
O que encontramos nas bibliotecas públicas tem um valor que não pode ser calculado monetariamente, é o valor social, que muda realidades, que amplia horizontes, que transforma e que forma para a cidadania e para a felicidade através da leitura.


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