Editorial

A reação precisa ser urgente

28 de Junho de 2022 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A cada dia se torna mais insuportável ser mulher no Brasil. E as últimas semanas têm jogado na cara da sociedade o quanto a inércia diante da escalada de absurdos e a tolerância ao intolerável confirmam essa constatação. A todo momento somos duramente golpeados e golpeadas com relatos e imagens de violência contra mulheres.

Recentemente veio à tona o caso da procuradora-geral da cidade de Registro, em São Paulo, espancada na prefeitura. O nome do criminoso: Demétrius Oliveira Macedo, procurador do município. O motivo seria a revolta com processo disciplinar aberto contra ele justamente por seu comportamento agressivo. Mesmo com a violência testemunhada e filmada, inicialmente o homem não foi preso porque, segundo a autoridade policial, não existiriam elementos. Somente depois, com a repercussão, houve a prisão.

Não bastasse isso, o país ainda ficou sabendo – graças ao Jornalismo – que uma menina de 11 anos de Santa Catarina, estuprada, foi coagida por uma juíza chamada Joana Ribeiro Zimmer a não interromper a gravidez, mesmo que a lei brasileira assim permita diante de estupro ou risco à vida da gestante, ambas condicionantes existentes no episódio. Por conta de visão pessoal, ideológica, a magistrada constrangeu a menina e chegou a referir-se ao abusador como “pai”. Antes disso, o próprio hospital ao qual a família da menina recorreu recusou o procedimento. Uma sucessão de violências.

No final de semana, outro caso revoltante. Uma atriz teve a intimidade exposta nas redes sociais e em uma página de fofocas com o relato do estupro que sofreu, da gravidez gerada por essa brutalidade e a destinação da criança para adoção. Tudo feito por ela dentro da lei, com cuidado e responsabilidade, mesmo diante de tanta dor. E o pior: a exposição se dando a partir de possível vazamento de informações no hospital.

Estes são apenas os casos mais recentes e de repercussão. Mas não custa lembrar inúmeras outras violências. Como o caso do homem que ejaculou em uma passageira dentro de um ônibus em Bagé. Ou, na mesma cidade, a advogada que defendia uma vítima de violência e acabou morta no domingo. Ou o médico ginecologista de Canguçu, agora condenado, que durante anos abusou sexualmente das pacientes. Ou os assédios e desrespeitos do dia a dia, como ofensas, deboches e desqualificações a mulheres no trabalho, em casa, na política. Inclusive na Câmara de Pelotas.

É urgente uma reação em defesa das mulheres. Por seus direitos, por suas liberdades, por sua cidadania plena. E não só vindo das próprias mulheres. A sociedade toda tem essa obrigação. Agora. Não há mais tempo para saber, tolerar e deixar para depois.


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