Pluralidade Esportiva

A polêmica chegada do Australian Open 2021

25 de Janeiro de 2021 - 08h33 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Bruno de lá Rocha, colaborador

Primeiro Grand Slam do ano traz mais dúvidas do que certezas

Não tem sido fácil acompanhar jogos ou torneios de tênis nos últimos meses. Os reflexos da pandemia acabaram gerando consequências indesejadas, embora necessárias. Muitas ausências, poucos torneios e público zero. O Australian Open, primeiro Grand Slam do ano, poderia trazer esperança aos atletas e fãs. Mas as manchetes têm sido bem diferentes.

Além da pesada ausência de Roger Federer, que ainda se recupera de artroscopia realizada em maio, outras desistências estão desanimando os espectadores. Um dos motivos, como citou o americano John Isner, é a política de quarentena pesada, que está repercutindo ao redor do mundo de maneira negativa.
Pai de família, Isner decidiu não viajar para Adelaide, onde cumpriria quarentena obrigatória de 14 dias junto aos demais atletas antes da viagem para Melbourne, sede oficial do torneio. O americano não aceitou os termos e condições do torneio pois não quis ficar longe da família.

Imersos na solidão do isolamento, diversos tenistas demonstram descontentamento com a situação de poder apenas sair do quarto por 4 horas por dia para treinar, tendo de retornar de imediato após a prática. Número 13 do mundo, o espanhol Roberto Bautista Agut, em entrevista ao canal israelense Sport5, definiu a quarentena como “uma prisão com wi-fi”. Sendo ainda mais duro, também deixou claro que o cansaço mental está tomando conta de todos e que a organização “não faz a menor ideia do que é tênis.”
Quem também se manifestou foi o argentino Guido Pella, 44° do mundo, que reclamou da diferença de tratamento dos atletas. Os líderes do ranking, Novak Djokovic, Rafael Nadal e Dominic Thiem possuem quartos maiores e mais luxuosos, além de agendas mais flexíveis.

Atual líder do ranking mundial, Djokovic virou notícia na última terça-feira (19), quando apareceu na sacada do hotel e interagiu com jovens que praticavam tênis no estacionamento. O sérvio propôs mudanças a Craig Tiley, diretor do Australian Open, tentando - sem sucesso - flexibilizar a situação para todos os tenistas. Craig, reconhecido como o melhor diretor de torneio do circuito, afirmou estar “de mãos atadas” após longas negociações com o governo para que o torneio fosse realizado.

Pella, em entrevista ao podcast argentino 3iguales, mostrou-se satisfeito com a atitude de Djokovic, embora decepcionado com os demais privilegiados.

“A sacada do Djokovic é maior que todo meu quarto. Mas pelo menos ele falou alguma coisa. Estou surpreso com o silêncio de Nadal e Thiem a respeito disso.”

Já são 72 tenistas confinados, e a tendência é de que o número aumente conforme as restrições do governo australiano. A certeza é uma só: até o dia 8 de fevereiro, o tênis será mais comentado pelos acontecimentos fora das quadras do que dentro delas. A temporada inicia-se para um incerto 2021 no mundo do tênis.

 


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