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A partida em que ninguém perdeu

20 de Julho de 2019 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Cássio Furtado, professor e jornalista

Há momentos, no esporte como na vida, em que não existem derrotados. No último domingo (14), na grama sagrada de Wimbledon, o mundo presenciou um desses momentos.

De um lado estava Novak Djokovic, o maior tenista da atualidade. Do outro lado da rede estava Roger Federer, o maior tenista de todos os tempos.

O jogo valia pela final do mais antigo e tradicional dos torneios de tênis, o Torneio de Wimbledon, criado em 1877 e maior objeto de desejo dos tenistas profissionais mundo afora.

Mesmo quem acompanha tênis semanalmente e pelas quadras dos cinco continentes, raras vezes presenciou uma partida de nível técnico tão alto.

Por quase cinco horas, Djokovic e Federer brindaram os milhões de telespectadores com direitas, esquerdas e idas à rede da maior qualidade.

Federer era o favorito da torcida, ovacionado a cada jogada. Um gênio do esporte, 20 vezes vencedor de Grand Slams, ganhador de mais de 100 troféus ao todo e dono de humildade e carisma contagiantes.

Djokovic, ao contrário, é o bad boy que reclama de cada decisão de arbitragem. Sisudo, já venceu 16 Grand Slams, 75 torneios ao todo e foi o primeiro tenista profissional a superar US$ 100 milhões em premiação por performance em quadra.

Os Grand Slams são o degrau mais alto e prestigioso do mundo do tênis. São a Copa do Mundo do esporte, com 128 participantes cada. São os quatro maiores e mais tradicionais torneios do calendário do tênis.

Em janeiro, é jogado o Aberto da Austrália, em Melbourne. Em maio e junho, nas quadras de Paris, é disputado o torneio de Roland Garros.

Do final de junho à metade de julho, nas quadras de Londres, 128 tenistas se enfrentam pelo título de Wimbledon. Por fim, da última semana de agosto até o início de setembro, o palco muda para Nova York, onde é disputado o US Open.

Até o início da década de 2000, o maior vencedor de Grand Slams da história era o estadunidense Pete Sampras, que venceu 14 vezes.

Nos últimos 15 anos, período em Federer, Djokovic e o espanhol Rafael Nadal começaram a jogar, esse número foi pulverizado.

Federer, Nadal e Djokovic venceram 20, 18 e 16 Grand Slams, respectivamente. Há quem argumente que os três são, justamente, os três maiores tenistas da história do esporte.

Na semana passada, Federer derrotou Nadal em Wimbledon em uma semifinal épica realizada na sexta-feira (12).

Ninguém esperava que a final fosse ainda maior.

Djokovic e Federer, no entanto, provaram que todos estavam errados. Fizeram uma partida que entrará para o imaginário do esporte.

Com mais de quatro horas na quadra, Federer esteve muito próximo de vencer. Teve dois match points.

Djokovic conseguiu o impensável. Primeiro igualou o jogo, e depois venceu por 13-12 no quinto set.

Foi uma das grandes vitórias da história do tênis, e passível de todos os adjetivos possíveis. Uns diriam inacreditável. Outros a chamariam de fenomenal.

Na verdade, melhor seria dizer que essa foi uma das poucas vezes que, em um esporte em que não há empates, uma partida terminou sem perdedores.

 


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