Editorial

A pandemia política

26 de Março de 2020 - 07h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

O Brasil vive as primeiras semanas do isolamento social e da paralisação da atividade produtiva, provocados pela pandemia do novo coronavírus, mas, nos bastidores, a política age, caminha entre atalhos e fomenta um tema que começa a ganhar corpo, aqui e ali, e pode levar a mudanças ainda este ano, quando o país tem programado a escolha dos novos prefeitos, vice-prefeitos e vereadores.

O debate interno, porém, cresce em direção a outro caminho, que muitos desejam, mas ainda sem um consenso nacional: o fim da reeleição dos prefeitos e a unificação do calendário eleitoral, dando aos chefes dos executivos municipais cinco anos de governo.

E a pandemia entra nesse jogo como uma peça estratégica, embora ainda pareça insuficiente para provocar alterações, a pouco mais de seis meses do primeiro turno. Realizar uma eleição custa caro e, nesse momento, o dinheiro poderia ser destinado ao combate da Covid-19 e ao atendimento da população, lembrou o presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Glademir Aroldi, em entrevista ao Estadão. A entidade é defensora de processo único no país, a cada cinco anos, sem reeleição.

Aos que também apoiam a ideia, comentários pontuais ajudam a dar força à proposta, como o que disse o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Para ele, fazer campanha nos próximos meses seria uma "tragédia".

Paralelamente, já é feita coleta de assinaturas no Congresso, com o objetivo de apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que oficialize o adiamento do pleito.

O fato é que o tema ganha vozes e pode ser uma das principais consequências da pandemia na política brasileira.


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