Editorial

A pandemia de cada um

05 de Agosto de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Desde o dia 20 de março o Ministério da Saúde reconhece que o Brasil vive o cenário de transmissão comunitária do novo coronavírus (Covid-19) em todo o território nacional. Em outras palavras, há mais de quatro meses praticamente é impossível saber a origem do contágio entre as pessoas. Situação que tem levado a maioria dos contaminados, surpresos com o resultado de seus testes, a admitir não ter ideia do local ou o modo de infecção.

E como ninguém mais consegue monitorar e apontar os riscos, não existe outra forma de garantir a segurança coletiva a não ser pedir - e insistir - às pessoas cuidados e o mínimo de exposição possível no dia a dia.

As imagens em Pelotas, porém, de segunda a sexta-feira, e aos finais de semana, são outras. A população, goste ou não de ouvir isso, não demonstra qualquer preocupação com sua saúde e a dos outros. Age de forma irresponsável ao ignorar a importância da máscara, aglomera-se nos espaços comerciais e de lazer a qualquer momento, circula sem motivos relevantes. Vive a rotina do "velho normal", antes da pandemia, e muitos fazem questão de dizer que tudo não passa de uma grande bobagem.

O resultado para a cidade aparece no sistema de saúde responsável por dar suporte aos pacientes graves, hoje próximo do colapso. As mortes vêm num crescente, assim como aceleram diariamente os números dos resultados positivos para a Covid-19.

A primeira experiência com o lockdown, nos próximos dias, será fruto dessa falta de compromisso. Para mostrar que a pandemia, muito mais do que um problema coletivo, tem forte componente individual. Ela cresce e se fortalece pelo hábito de cada um. De nada adianta oito exercitarem o isolamento e dois optarem pelo caminho errado. Por essa fórmula, o ciclo do vírus jamais será interrompido.


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