Ponto de Vista

A minha dor, a tua dor

07 de Maio de 2014 - 08h12 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Manoel Jesus, educador

Por estar em tratamento desde o início de fevereiro, é comum as pessoas fazerem confidências a respeito de suas enfermidades. Muitas delas são físicas, mas há uma grande quantidade que agrega, também, algum mal psicológico, quando não se trata exclusivamente desta área. Aprendi que todos tendemos à "exclusividade nas dores do Mundo". Até somos solidários: reconhecendo que, em muitos casos, o que estamos passando é fichinha perto daquilo que outros passam. Mas... Não importa se física ou psíquica, no fundo, lá no fundo, a nossa dor é a maior! Porque somos nós que a sentimos e, nem sempre, temos estrutura adequada para enfrentá-la.

Eu me sinto privilegiado nos males que a vida me deu: além de poder contar com o suporte de um plano de saúde, em nenhum momento, senti dor. Claro que uma cirurgia sempre causa incômodos, mas dor, dor mesmo, até uma simples dor de cabeça, por estes males meu corpo não passou! Isto minimiza a minha chance de fazer dos ombros alheios um lugar para derramar minhas lágrimas. Então, o mais comum, é que, pedindo notícias minhas, o outro passe a partilhar as suas ou comentar como se encontra a saúde - sua, alheia, pública...

Mas a gente também fica mais observador. Negativamente, as queixas com relação à saúde pública. Ouvidas muitas, uma ficou na minha cabeça: um médico dizia que o SUS não trata dos males da obesidade, mas financia as cirurgias de redução de estômago. Ora, num tempo em que se fala tanto em "prevenção", o fazer vai exatamente no sentido contrário!

Mas também temos bons exemplos: a vacinação contra a gripe levou a que eu pedisse a presença de uma equipe para vacinar dona Francinha em casa. Um sábado pela manhã, três agentes de saúde - muito bem dispostos, por sinal - bateram à porta e, num clima de descontração, a vacinaram, já aproveitando para vacinar os demais que estavam na casa, além de obter e procurar vizinhos que estariam incapacitados de se dirigir até um posto de saúde para a prevenção.

Pena é que as mazelas que os meios de comunicação mostram são muito claras: ainda estamos longe de que a saúde pública seja de qualidade, gratuita e universal. Para além da Copa do Mundo de Futebol, abre-se o espaço para a eleição do presidente da República e do governador do Estado. Em ambos os casos, são responsáveis diretos - além do prefeito do Município - por ações que resolvam estes problemas. Hoje, infelizmente, além de ações positivas isoladas, o todo é desolador. Tratar da saúde passa a ser um heroico ato de sobrevivência!

 


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