Artigo

A informação e a verdade estão na história

23 de Junho de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Nery Porto Fabres, professor

Hoje é um dia comum, aquele de nada de novo nos noticiários, dia parado de dar vontade de cochilar na rede, ou de ler um livro provocador, destes da história do Brasil. Dia para degustar os fatos dos Cartórios de Registros Civis, ler as transações empresariais, comerciais, industriais averbadas nas juntas comerciais e atas das reuniões das Câmaras de Dirigentes Lojistas. Enfim, entender de monetarização. Como se afere valor dos bens, dos mercados, das empresas em geral. Essas coisas devem ser vistas de tempo em tempo para se fazer um paralelo com a situação atual deste vasto e complicado território brasileiro.

Porque não se entende de Economia se apegando à disciplina de Matemática, a economia de uma nação depende dos movimentos dentro de cada campo delimitado por acordos entre países, política partidária, capacidade de produção, fertilidade do solo, clima, representatividade nos balcões do comércio exterior, portos, estradas, moeda circulante, taxa cambial, etc.

E nada melhor que a história do Brasil para entender os acordos com países financiadores para a construção dos portos, exploração do solo, extração de petróleo do mar e da terra, catalogação de plantas para fins farmacêuticos, pesquisas aeroespaciais, telecomunicação, eletricidade, captação de água, implantação de técnicas agropecuárias, geração de empregos e tantas outras necessidades deste país ainda colônia europeia.

São, justamente, estes livros de história que, por não falarem disto de forma explícita, criam em nossas mentes a atmosfera que dá pistas interessantes para aguçar a curiosidade de pesquisar sobre a economia.

Lira Neto é um mestre de provocar o nosso estado de consciência política e social, quem o lê, e vem de academias das Ciências Humanas, aprecia suas obras de um modo particular. O sujeito nos faz querer ir além de suas manifestações escritas.

Em várias vezes que discuto história me apego a falar de Getúlio Vargas, não apenas por Lira Neto ter dito e falado desta celebridade incansadamente, mas por ele falar tanto em Assis Chateaubriand, que é o mesmo que de falar de Getúlio. Esse publicitário, jornalista, empresário foi o pai da imagem pública de Vargas, O homem era fera com as palavras e proprietário da grande mídia na ocasião.

Então, quando se quer compreender o porquê de haver tanta gente falando mal de uma determinada emissora de televisão, de rádio, de jornal, se percebe que por trás disto estão os interesses políticos. É Chateaubriand quem nos faz entender isso em seus artigos escritos neste período getulista e após a era Vargas. Por exemplo, foi lá no período de Vargas que a industrialização fez o Brasil dar um salto e isso está bem propagado em cada escrito da história brasileira posterior ao governo getulista. Obviamente muitos opositores queriam calar a mídia.

Os poderosos entes políticos necessitam que propaguem uma imagem positiva de seus feitos nos veículos de comunicação para que haja uma perpetuação do controle social. Já outros interesses, também políticos, querem silêncio das conquistas sociais de seus inimigos das urnas.

Assim, nesta onda de informação, quem tem o que propagar surfa confortavelmente e se reelege nas urnas. Quem não tem, quer buscar a destruição da imagem de quem fez o país prosperar. E é isso que causa estranheza, a incapacidade de o povo em entender que tudo é imagem produzida em gabinetes. Vivemos em meio a um ambiente de forças disputando o poder sobre nossas costas. E a economia vai pela correnteza das informações. Ainda bem que os livros estão nas prateleiras para quem quiser entender o mundo que está ao seu redor. Uma boa opção é Arrancados da terra, de Lira Neto.


Comentários

Diário Popular - Todos os direitos reservados