Artigo

A importância de dizer "não"

02 de Dezembro de 2019 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Magda Brum, coach palestrante

No piloto automático da vida não existe marcha ré, mas existem o "sim", o "não" e o "talvez".

E por muitas vezes até sem pensar ou perceber o "sim" vem em primeiro lugar!

Você já prestou atenção quantos "sim" você diz, quando na verdade a vontade era só dizer um "não?

Quantos compromissos você assume, e quando percebe nem sabe o que estava fazendo lá, ou pior, porque está fazendo.

Quando isso acontece somos tomados por uma profunda sensação de frustração, chateação e tédio.

Mesmo assim, é difícil de aprender a dizer "não", e por isso a falta dessa decisão acaba se tornando um grande ladrão de tempo, e mantém você refém de uma vida cheia de atividades meramente ilustrativas.

Costumo dizer que às vezes temos tantas dessas atividades no nosso dia, coisas que nos mantêm muito ocupados, e nada produtivos, que nem percebemos o tempo passar e o desperdício acontecer.

As razões para dizer "sim" na hora errada são as mais diversas possíveis. Seja pela necessidade de nos sentirmos solícitos ou agradáveis, ou pelo medo de decepcionar os outros, continuamos a dizer "sim", quando na verdade gostaríamos de dar um "não".

Outro motivo é inconsciente na maioria das vezes, é o medo de assumir o controle da situação. Quando dizemos "sim" a demandas alheias nos calamos diante de nossas próprias decisões... Indiferentemente quanto ao motivo, o resultado é sempre o mesmo: quando respondemos de uma forma positiva a uma situação onde o desejo seria uma resposta negativa, estamos delegando a nossa vida a um trem alugado.

E já que o trem não é nosso, não conseguimos direcionar a rota conforme nossos desejos, ficamos à mercê de destinos que sequer fazem parte de nossos planos. E pior é que nós mesmos nos colocamos nessa situação.

E quando começamos a trocar o "não" pelo "talvez", sabe aquela injeção que é mais lenta, portanto mais dolorida, mas que tem o mesmo destino das outras?

Então, o "talvez" é essa injeção, tão eficiente quanto o "não", mas mais dolorido.

Você já tomou a decisão interna de não fazer, ou já sabe que não vai dar conta, mas fica procrastinado uma resposta, gastando uma energia maior e alimentando um desgaste desnecessário.

Um dos malefícios de acumular "sim" ou "talvez" indesejáveis é o desequilíbrio do cortisol, hormônio que é responsável pelo controle do nível de estresse em nossa vida.

O fato de dizer "sim" às coisas que não são importantes para você, que não fazem parte dos seus projetos nem dos seus planos, desde uma simples reunião familiar, um esporte que você não curte, uma tarefa de casa que você não gosta, ou até um compromisso profissional que você não estava projetando, como assumir o lugar do seu gestor, de um colega de licença ou uma área da empresa que você não se sente confortável, faz imediatamente crescer a sensação de mal-estar, inquietação, angústia, dores musculares e até insônia em alguns casos.

Saber dizer "não" com maestria é uma arte necessária, porém para poucos. É um desafio que precisa ser praticado com amorosidade, sinceridade e empatia.

Pense que um "não" ao outro é um "sim" para você!

Não existem regras para começar essa arte, mas algumas dicas podem facilitar o começo.

Evite usar desculpas, os outros sempre percebem e muitas vezes não é o fato de dizer "não" que incomoda você, mas sim o de ter que ficar se justificando com falsas verdades.

Vá direto ao ponto, não adie e faça um acordo mental com você mesmo; a partir do momento que você decidiu que não quer algo, se mantenha firme em sua posição.

Dizer "não" é um ato de autoamor.


Comentários

Diário Popular - Todos os direitos reservados