Editorial

A ideologia das urnas

01 de Dezembro de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

O fim das eleições municipais no domingo referendou o ciclo político vivido pelo Brasil atualmente. Com o resultado das urnas, a maioria das prefeituras do país estará, pelos próximos quatro anos, nas mãos dos partidos associados ao Centrão (assim chamados na Câmara dos Deputados) e à direita.

Praticamente metade dos municípios (2,6 mil ou 47%) terá a gestão desses grupos, de acordo com dados do TSE. Pela ordem, conduzirão mais prefeituras PP (685), PSD (655), PL (345), PTB (212), Republicanos (211), Cidadania (139), PSC (115), Solidariedade (94), Avante (82), Patriota (49) e Pros (41).

E o que isso representa? Simplesmente que 40% da população brasileira vive hoje nessas localidades. Um universo de eleitores que pode fazer toda a diferença no próximo pleito, daqui dois anos, para presidente e governador, senador e deputados. Logo, se os prefeituras fizerem bem as lições de casa, melhor será para os candidatos que, em 2022, representarem tais grupos em níveis estadual e federal.

Apesar de ter se afastado do Centrão e de ter encolhido em número de prefeituras, o MDB continua como o partido que mais municípios abocanhou nas Eleições 2020, num total de 784, de acordo com levantamento publicado pelo site G1. O partido chegou a ter 1.194 em 2008. Já o PT, que em 2012 estava à frente de 630 prefeituras, encerrou 2020 com 183, o pior desemprenho desde 2004, sem ter conquistado nenhuma capital brasileira agora.

O encerramento do processo eleitoral, assim, deixou mais um recado, para onde o Brasil pende hoje, num ciclo que voltará a ser medido daqui 24 meses.


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