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A fragilidade da esperança pela paz

14 de Janeiro de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Manoel Jesus, educador - manoeljss21@gmail.com

A possível guerra entre o Irã e os Estados Unidos não é a repetição de um filme onde se percebe claramente quem são os mocinhos e quem são os bandidos. Neste caso, está mais para a brincadeira de criança onde as provocações começam por pequenos gestos até que alguém tenha que apartar o que chegou às vias de fato. Só que, na atualidade, não se vê alguém, em nível internacional, capaz de "separar" os dois brigões...

Os iranianos há muito tempo batem na canela dos americanos, justificando pelo fato de que não concordam que os EUA se autoproclamem xerifes da humanidade, com direito (com frágil objeção na ONU) de intervir onde julgar necessário sob o pretexto de proteger seus cidadãos. Novamente, quando o mar e o rochedo se enfrentam, quem sofre, na maior parte dos casos sem saber os reais motivos, é a população civil.

Disputas e contendas podem ter diversas falsas motivações, como questões religiosas ou de manutenção da democracia. Mas elas acontecem por motivos econômicos, disputa de poder ou vaidade. Religião é desculpa que diversos grupos (inclusive igrejas) utilizam para mascarar seus reais motivos. E democracia, nem se fala, sofre como desculpa nas mãos daqueles que são democratas no quintal dos outros...

O problema é que se o mais fraco tem um canivete, o outro tem uma metralhadora. No frigir dos ovos, muitos "líderes" disfarçados de gente boa estão dando um osso para ver uma boa briga e o que sobra, porque esta não é apenas uma disputa entre pivetes, mas de gente grande que dá o primeiro tiro sabendo a quanto vão o preço do petróleo e as bolsas de valores, e os países que serão afetados pelo comércio internacional.

A provocação iraniana vinha se dando na "medida certa". Acontece que erraram na dose quando (por erro humano ou não) acertaram um avião civil com cerca de 180 passageiros. Da potencial simpatia que poderiam conquistar, sobraram dúvidas e gente que começou a achar que tinha apostado na mão errada. A certeza de que rapidamente conseguiria outros sócios na empreitada foi por água abaixo.

Quem acha que a disputa no Oriente não afeta nossa calma e pacata vidinha em Pelotas está enganado. Veja o que acontece com o preço do petróleo, que influencia o valor da gasolina e do diesel, repercute no frete da produção do país e chega ao preço do pão na padaria... Esta cadeia que acaba na mesa ou em serviços é tão complexa que, na maior parte das vezes, não se conhece por preguiça de entender a macroeconomia.

Golda Meir dizia: "Não é possível apertar as mãos com punhos fechados". As vozes mais sensatas já se dão conta de que o medo é que as escaramuças se tornem base para um conflito internacional que acabe de vez com o já fragilizado diálogo na região. Então, é rezar e torcer para que mãos e corações abertos encontrem caminhos que não deixem morrer e revigorem a esperança pela paz!


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