Opinião

A Foto 51

21 de Maio de 2022 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Thaís Russomano
Médica especializada em Medicina Espacial

“Mãe do DNA” foi o apelido conferido à Rosalind Franklin, biofísica inglesa, por seu extenso trabalho em físico-química e pelas fotografias por ela obtidas do ácido desoxirribonucleico, mundialmente conhecido pela abreviatura DNA. As fotografias de Rosalind foram de grande valia para a ciência, em especial a Foto 51, pois nela se vê detalhes do DNA, o qual desempenha um papel importante na determinação da funcionalidade das células, sendo também responsável pela transferência de informação hereditária entre gerações.

Com essas fotografias, o bioquímico norte-americano James Watson e os britânicos Maurice Wilkins e Frances Crick confirmaram a existência da dupla hélice da molécula de DNA, o que conferiu ao trio o Nobel de Física e Medicina, em 1962.

Infelizmente, esse prêmio chegou tarde para Rosalind. Um câncer de ovário abreviou prematuramente sua vida. Ela morreu aos 37 anos de idade, no final da década de 50.

Parte importante de suas pesquisas foi desenvolvida no King’s College London. Hoje, há enormes painéis dispostos no campus de Waterloo, região central londrina, onde podemos ler sobre a vida de Rosalind, conhecer um pouco de seu trabalho e apreciar seus estudos. A Mãe do DNA aparece numa fotografia - cabelos pretos, olhar penetrante, discreto sorriso tímido. Num outro painel, a imagem da histórica Foto 51 - um legado inestimável para a humanidade!

Isso me traz Carl Sagan, que acreditava que tudo que existe começa e termina no próprio Universo. “O cálcio em nossos dentes, o ferro em nosso sangue e o carbono em nossas tortas de maçã foram criados no interior de estrelas em colapso, já mortas há muito tempo. Nós somos feitos de poeira de estrelas”, costumava dizer. E ele mesmo completa - “O nitrogênio em nosso DNA”.


Comentários

Diário Popular - Todos os direitos reservados