Editorial

A falta que faz o Sete

03 de Dezembro de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Demorada, custosa, cheia de idas e vindas. São algumas das definições bem resumidas e simplistas que se pode fazer quando o assunto é a reforma do Teatro Sete de Abril. No entanto, ainda que cheio de contratempos, o processo de restauração de um dos principais palcos de Pelotas e do Estado é acompanhado com expectativa não só pela classe artística que, obviamente, não vê a hora de pisar no palco em espetáculos abertos ao público e sentir o calor da plateia lotada. Até mesmo quem nem sabia que estava com saudade, em verdade a sente e se pega por vezes pensando em cruzar a rua na Praça Coronel Pedro Osório e entrar no Sete.

Prova disso é a reação da comunidade diante da divulgação de imagens do interior do prédio. Como as feitas pelo repórter fotográfico Carlos Queiroz e publicadas na edição de ontem pelo Diário Popular, inclusive com destaque na capa. Elas e tantas outras, produzidas também pela equipe de comunicação da Prefeitura, costumam circular rapidamente em redes sociais e grupos de mensagens. Sozinhas, falam por si só, mas também costumam ser acompanhadas de frases que misturam surpresa e esperança de logo a notícia ser a da reabertura.

A sensação de quem vê as fotos é de que, finalmente, o Theatro está com cara de teatro. Quase dá para ouvir o burburinho das famílias procurando seus lugares nas cadeiras ou nos camarotes, reencontrando amigos, com os olhos atentos aos movimentos nos bastidores, aguardando o sinal de que a apresentação vai começar. Uma sensação de contentamento ao ver estas novas imagens que provoca sentimento inversamente proporcional ao de quando eram vistas cenas da parte interna extremamente comprometida, sem qualquer condição de abrigar a arte, a cultura e, sobretudo, o povo de Pelotas. Assim como o exterior, agora colorido, que há não muito parecia mais um dos inúmeros prédios e casarões abandonados e mal cuidados pela cidade.

Com 187 anos completados ontem, o Sete de Abril está há 11 anos fechado e deve chegar a 12, já que a projeção é que o fim da reforma e restauro, com a liberação definitiva, se dê somente entre maio e julho de 2022 (as portas cerraram no distante março de 2010). Mesmo assim, cada nova foto e suas reações mostram a falta que o Theatro faz. Quem já foi, não vê a hora de retornar. Quem nunca foi, certamente correrá para garantir ingressos quando for reaberto.

Um patrimônio como o Sete é muito mais que um prédio bonito e quase bicentenário encravado no coração da cidade. É uma porta que deve estar - sempre! - aberta a toda a população. Rica ou pobre. De Pelotas ou de fora. Embora possa parecer pequeno, o Sete é um pouco a casa onde cabemos todos. Só precisa ficar pronto logo.


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