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A extraordinária vida de George H. W. Bush

07 de Dezembro de 2018 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Cássio Furtado - professor - jornalista

Nos últimos dias, o mundo assistiu, comovido, às diversas homenagens que os Estados Unidos vêm prestando a George Herbert Walker Bush.

Bush morreu na última sexta-feira, dia 30 de novembro, aos 94 anos. Ele sofria de mal de Parkinson.
O mundo o conheceu em 1988, quando ele derrotou o Democrata Michael Dukakis para ganhar as eleições dos EUA. Ele governaria entre 1989 e 1993, um dos períodos de maior mudança na história recente.

Foi durante o seu mandato que caiu o Muro de Berlim, em 1989. Bush era presidente quando a União Soviética ruiu, ao final de 1991. Ele ordenou que as tropas estadunidenses retirassem as tropas iraquianas, lideradas por Saddam Hussein, da Arábia Saudita, em 1990.

Mas a trajetória política de Bush começou décadas antes. Na década de 1960, já era deputado federal. Também serviu como embaixador dos EUA na Organização das Nações Unidas (ONU) e na China. Na década de 1970, foi escolhido como chefe da CIA, a agência de inteligência de seu país.

Em 1980, tentou ser presidente dos EUA pela primeira vez. Nas eleições prévias do Partido Republicano, teve seus sonhos frustrados pelo opositor Ronald Reagan, ex-governador da Califórnia e conhecido ator de Hollywood.

Reagan, então, convidou-o para ser seu companheiro de chapa nas eleições gerais. Bush aceitou, e ambos derrotaram Jimmy Carter, o então presidente.

Reagan e Bush governariam os EUA por oito anos, um período de imensa prosperidade no país, com altíssimos investimentos, aumento dos salários e estabilidade no preço do petróleo.

Tal prosperidade fez com que Bush fosse eleito presidente, em sua segunda tentativa, com relativa facilidade - ele ganhou tanto no voto popular como no Colégio Eleitoral, a fórmula estadunidense que considera a população de cada estado, atribuindo um peso a cada um.

Em 1990, o governo Bush seria ameaçado pelo Iraque de Saddam Hussein. Saddam ordenou a invasão do Kuwait, um pequeno emirado árabe que faz fronteira com o próprio Iraque e com a Arábia Saudita, e que possui uma das maiores reservas petrolíferas do mundo.

O maior medo de Bush e de seus assessores era que o Iraque invadisse a Arábia Saudita, que possui as maiores reservas de petróleo do mundo, é um tradicional aliado dos EUA e um de seus maiores fornecedores de combustível.

A chamada Operação Tempestade no Deserto foi um sucesso absoluto. O mundo saía da Guerra Fria, e os EUA demonstravam sua superioridade militar ao mundo.

Seus mísseis Tomahawk, com alcance superior a 1.000 quilômetros, seus caças F-16 de última geração e seus helicópteros Black Hawk deslumbravam os telespectadores, que pela primeira vez assistiam a uma guerra ao vivo pela recém-criada CNN.

Os EUA venceram a guerra. Sua pujança militar era tamanha que a grande maioria das nações temia desafiar os interesses estadunidenses.

Ao final da Guerra do Golfo, em 1991, Bush chegou a níveis de popularidade inimagináveis. Sua atuação como presidente era aprovada por 89% da população. Até hoje, é um dos maiores índices de popularidade de um presidente.

Ninguém imaginaria que, um ano depois, Bush perderia a reeleição para um desconhecido governador de Arkansas chamado Bill Clinton.

Clinton, conhecido por suas escapadas sexuais, focou sua campanha única e exclusivamente nas questões econômicas internas, como gastos militares, inflação e desemprego.

O principal assessor político de Clinton, James Carville, tornou célebre a frase “É a economia, seu estúpido”, para tentar mostrar o único caminho para derrotar Bush, um presidente imensamente popular e com longa experiência internacional.

Clinton e Carville venceram. Bush retornou ao Texas, seu estado adotivo. Anos depois, em 2000, um de seus filhos, George W. Bush, seria eleito presidente, em um pleito marcado pela polêmica eleição na Flórida, onde contagens e recontagens de votos levaram mais de um mês.

Foi durante o governo de seu filho que caíram as Torres Gêmeas, em Nova York, e que se iniciaram as guerras do Afeganistão, em 2001, e do Iraque, em 2003.

A família Bush, até hoje, é sinônimo de riqueza e poder nos EUA. Seu patriarca, no entanto, seguirá lembrado como um dos mais populares e queridos presidentes da história dos EUA.


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