Editorial

A Europa em crise

Há pouco mais de 60 anos começava o projeto de integração da União Europeia, cheio de sonhos e esperanças

11 de Fevereiro de 2013 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A Europa não esconde estar em busca de outro modelo de crescimento. Há pouco mais de 60 anos começava o projeto de integração da União Europeia, cheio de sonhos e esperanças. Agora, quando o continente vive uma das piores crises econômicas de sua história, a ideia de bloco é colocada em xeque por alguns especialistas. Sobretudo em função de países como a Espanha, que amargam um alto índice de desemprego. 

O Velho Mundo parece ter descoberto, um tanto assustado e à parte de todos, que falhou na tentativa de se blindar contra a recessão vinda dos Estados Unidos há alguns anos. Pior: perdeu mercado e precisou assistir, sem meios para fazer mais nada a não ser pedir auxílio internacional, à boa parte de suas empresas multinacionais compradas por estrangeiros. O pior golpe, contudo, é a desconfiança que ainda paira sobre o continente. Desconfiança sobretudo quanto ao futuro do euro.

O cenário atual é bem diferente. As fronteiras que eram alvo de disputas durante as guerras mundiais caíram e o bloco conta com 27 países. Muitos analistas consideram o processo como o principal projeto de paz já conduzido pelo homem em séculos. Alguns países da União Europeia têm índices de desenvolvimento social excelentes, quase irretocáveis.

Múltipla não apenas em sua geografia e em suas línguas, mas principalmente em interesses ainda nacionais, a União Europeia busca vencer o desafio de aparecer ao planeta como bloco unido e com credibilidade. O titubear em sair ao resgate da Grécia escancarou vários desses limites. A credibilidade do bloco ainda foi prejudicada diante da constatação de que a dívida pública de vários países está em níveis considerados "insustentáveis". Outro enorme obstáculo que ficou claro foi a falta de ação conjunta para se defender em momentos de crise. O tratado original não responde a todas as suas necessidades. É preciso buscar um novo acordo que traga novos mecanismos.
Analistas e políticos alertam que mais uma vez a superação de uma nova crise virá graças a uma maior integração, e não desfazendo o projeto. Mais uma vez, a hesitação em abrir mão da soberania nacional terá de ser vencida. A noção de soberania terá também de ser superada pela população.

Para se ter uma ideia da gravidade da crise europeia, a economia da segunda potência da zona do euro, a França, praticamente não cresceu no terceiro trimestre de 2012. E a taxa de desemprego aumentou para o maior nível dos últimos 15 anos. E o aumento se deu pelo décimo nono mês consecutivo.

O Brasil precisa estar atento ao que se passa na Europa. A época das certezas inabaláveis quanto à riqueza dos países desenvolvidos já se foi. É preciso, da parte do governo brasileiro, encontrar alternativas para fazer a economia do país crescer significativamente de novo. Pelo bem de todos.


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