Editorial

A educação no divã

04 de Julho de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Uma ideia que no início da pandemia do novo coronavírus parecia pouco atraente começa a crescer e a ganhar forma na cabeça de muitos pais de estudantes: afinal, vale a pena o filho concluir o ano letivo da forma como está recebendo as aulas hoje e avançar para 2021 com o aprendizado comprometido?

Pois as escolas já se deparam com tal questionamento, da possibilidade de o aluno repetir no próximo ano o período em que se encontra hoje, mesmo sem ter “rodado”. Para alguns pais, é irrelevante esse atraso e o mais importante seria garantir a educação do jovem para que, no futuro, ele tenha mais condições de disputar uma vaga no ensino superior. Assim, ele encerraria o Ensino Médio um ano mais tarde.

A possibilidade ainda não passa pela mesa dos gestores da Educação e tampouco deve ganhar força - seria uma proposta que dependeria ainda de análise e parecer jurídico. Porém, é notável a insegurança dos pais em relação à forma como as crianças e os adolescentes estão tendo aulas (on line), assim como muitos professores mostram-se inseguros ao usar uma ferramenta que, até então, não dominavam e não fazia parte da rotina da sala de aula.

O formato para a recuperação das atividades escolares tornou-se um quebra-cabeça. A proposta elaborada a cada mês, por exemplo, precisa a todo momento ser revista porque considera o fim da reclusão social em alguma data do calendário, algo que não acontece. E assim, cada vez mais o ano letivo vê sua fórmula se desfazer e avançar no futuro. E as aulas remotas continuarem sendo aplicadas num modelo nada atraente aos dois lados, docentes e famílias.

Paralelamente, enquanto as estratégias do setor são periodicamente revistas, em casa os pais se preocupam com seus filhos, separados do ensino tradicional por uma tela. E esse até pode ser o futuro da educação, mas, por enquanto, como novidade, ainda é uma grande incógnita.


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