Artigo

'A economia é uma ciência psicológica'

17 de Fevereiro de 2020 - 06h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Paulo Rosa, Hospital Espírita, Caps Porto, Ambulatório Saúde Mental 

prosasousa@gmail.com

O título é uma afirmação do economista britânico A. Marshall em seu livro Principles of economics, de 1920. O autor segue: "A Economia Política ou Economia é o estudo dos seres humanos na vida ordinária dos negócios... está mais estreitamente conectada com os êxitos e com o uso dos requisitos materiais para o bem-estar. Então é, por um lado, o estudo da riqueza, e por outro, um lado mais importante, uma parte do estudo do homem". E ainda Marshall: "em seu atual desenvolvimento, contudo - note o amigo que isto foi dito há cem anos - a ciência econômica focalizou somente um aspecto do caráter do homem, sua razão, e particularmente na aplicação dessa razão aos aspectos de designação de recursos quando em fase de escassez... as modernas definições das ciências econômicas... deixam fora um vasto domínio para conquistar e estabelecer-se. Recentemente têm havido explorações consideráveis efetuadas por economistas, de partes de seus domínios, as quais tradicionalmente eram pensadas como pertencentes a outras disciplinas, como ciência política, sociologia, psicologia" (itálicos meus).

O desenvolvimento desses campos inter e transdisciplinares da economia trouxe modificações profundas na qualidade da vida humana, como atesta Ricardo Pascale, um uruguaio invulgar, economista e escultor destacado, que representou recentemente seu país na Bienal de Veneza. Foi, por dois períodos, presidente do Banco Central do Uruguai, publicando em 2012 Economía y Confianza, pela Fin de Siglo, Uruguai, 300 páginas. No texto ele mostra como foi a gestão que evitou a falência do país dele ante a crise político-econômica de 1985-1989. Acredito que muitos dos Chicago boys que presentemente vociferam nestas pradarias, teriam a aprender dessa fonte. Pascale, economista, demonstra que uma Economia sem emoções, isto é, números desligados da vida emocional da rapaziada - como soe operar a teoria econômica padrão - é prenúncio de proposições e resultados econômicos funestos. Diz ele, em itálicos: este libro intenta contribuir al análisis de algunos problemas económicos de la época, su tratamiento y su articulación con el constructo confianza.

Destaco o constructo confiança. Não basta que os economistas sacudam brilhantes fórmulas que vão mexer em nossas partes mais sensíveis. É mister que essa turma desperte, com seu trabalho, o sentimento de confiança dentro de nossos, cada vez mais céticos, bolsos. Nós, psicólogos, gostamos de apreciar a hipersensibilidade das bolsas de valores ante qualquer fenômeno - desde uma besteira dita por alguma autoridade (sic) até a epidemia de vírus - já faz com que investidores (no próprio conforto) recolham suas burras para terras mais seguras. As curvas das bolsas são bem mais sensíveis que o traçado do eletrocardiograma.

Pascale propõe uma economia associada à psicologia e à ética. Raridade.

Para Erli Massaú, economista sensível.


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