Ponto de vista

A biogeografia da majestade o sabiá

01 de Novembro de 2013 - 09h30 0 comentário(s) Corrigir A + A -

João Renato Weigert, licenciado em Geografia

A ave-símbolo do Brasil foi personagem de recente reportagem em rede de televisão na cidade de São Paulo, protagonizando discussões devido às características de seus hábitos. A controvérsia deu-se pelo seu estridente e belo canto, também pelo horário em que o pássaro começa a sua melodia.

Buscamos tanto a compreensão dessa fabulosa biodiversidade, mas quando a natureza nos oferece algo maravilhoso, sem nada nos cobrar, tudo de graça, sempre aparece a figura de um bicho-homem para contestar.

O estudo dos seres vivos na superfície terrestre é fascinante, abrangendo várias ciências e nos mostrando componentes para entendermos os padrões de distribuição, ou seja, a área geográfica, os eventos históricos e os grupos de organismos.

A mão humana está presente nesse episódio, pois, se esse pássaro habita uma área urbana arborizada e adaptou-se a ela, convive num ambiente modificado pelo próprio homem.

O sabiá faz seu lindo assobio ao amanhecer e ao entardecer, tendo seus motivos bem definidos: demarca o território e ensina os filhotes a cantarem longe de seus predadores, também com seu canto atrai a fêmea quando está em processo de reprodução.

Morar em área urbana e admirar um mato com sub-bosque e ouvir o gorjeio de um sabiá me encanta e noto que não há reclamações de vizinhos, pois esse pássaro já em torno das quatro horas da manhã começa a sua melodia. Quando se perde o sono, é só esperar o amanhecer ao som daquela bela flauta, o que também me inspirou para escrever sobre o tema.

Na rua em que resido aqui na cidade de Santa Maria não enfrento o problema da competição na escala de sons entre vários tipos de barulhos. Dentre todos os cantos dos pássaros, realmente se destaca o de um sábia que numa escala sonora em decibéis fica apenas atrás do som de uma buzina e do ruído do trânsito, isto na cidade de São Paulo.
Como essa espécie pode viver em torno de 30 anos, fico a imaginar que teremos esse companheiro nos presenteando com o longo e flauteado gorjeio por um bom tempo.

Quando criança podia travar a língua, mas hoje posso dizer que eu sei que o sabiá sabe assobiar e que na minha rua também tem palmeira onde canta o sabiá e que essa ave que aqui gorjeia continue a gorjear.

Estamos na primavera: a estação do amor, das flores e da Majestade o sabiá.


Comentários

Diário Popular - Todos os direitos reservados