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A batalha no Senado

19 de Janeiro de 2022 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Lasier Martins - senador pelo Podemos-RS

Nas eleições deste ano, que serão das mais disputadas de toda a história do nosso Brasil, 27 das 81 cadeiras do Senado da República serão submetidas ao escrutínio do eleitorado. Renovado pelas urnas, este um terço do plenário da Casa, correspondente ao grupo de representantes de todos os estados mais o Distrito Federal que iniciará um novo mandato, terá o decisivo papel de garantir a continuidade das prerrogativas exclusivas da chamada Casa Alta do Congresso Nacional.

Aqueles que, como eu, completarão em fevereiro de 2022 sete dos oito anos honrosamente confiados pelos nossos eleitores, temos a opção de sermos julgados, cada um na sua respectiva unidade da Federação, para confirmar ou não o nosso propósito de segui-los representando. Na condição de pré-candidato à reeleição, enxergo para além do mandato uma batalha ainda por ser lutada e vencida, a mesma para a qual me credenciei a enfrentar na disputadíssima campanha do pleito de 2014, aqui no querido Rio Grande do Sul.

O candente desejo de uma profunda mudança no cenário político que dominou as ruas, as praças e os lares dos brasileiros desde os gigantescos e históricos protestos de 2013 ainda continua. Além disso, as apostas feitas desde então trouxeram, sim, renovação, mas também decepções.

Isso porque, infelizmente, ainda não conseguimos formar as necessárias maiorias parlamentares para poder levar adiante o desejo popular por uma efetiva superação das conhecidas e arraigadas mazelas nacionais, tais como os constantes desvios de recursos públicos, a irresponsabilidade fiscal e a perpetuação da pobreza extrema em todo território nacional.

Na última eleição, dos 54 senadores que colocaram as suas respectivas vagas em disputa por uma votação majoritária, a maioria deles foi notoriamente excluída pelo espírito cívico que imperava à época. Mas lamento constatar que as velhas práticas continuaram e, somadas a outras circunstâncias deletérias, acabaram por impedir o sucesso das boas e urgentes causas e até permitiram retrocessos.

Acredito, pois, que o momento atual está a exigir de todos nós a mais profunda reflexão para, assim, endereçarmos votos mais refletidos e acertados.

O Poder Legislativo tem uma atribuição constitucional importantíssima, sobretudo o Senado Federal, que responde pela missão de ser a Casa revisora das decisões da Câmara dos Deputados e de ser o filtro para autoridades dos outros dois Poderes, particularmente do Supremo Tribunal Federal (STF), cujos 11 ministros dependem do permanente aval dos senadores.

Temos, por sinal, um STF que vem protagonizando algumas decisões decepcionantes, lamentavelmente, sem que se tenha a esperada e insubstituível reação do Senado da República.

Por tudo isso, precisamos todos ir ao encontro das aspirações populares no Parlamento brasileiro, desde que correspondidos pela responsabilidade exclusiva dos eleitores. Afinal, quem tem perdido cotidianamente com esse indesejado cenário é a maioria da população. Mas não desistiremos. Vamos para esta batalha.


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