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A abstenção venceu

02 de Dezembro de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Lênin Landgraf, mestrando em História (PPGH/UFPel) - leninplandgraf@hotmail.com

A abstenção venceu! Esta é a análise que pode ser feita com o encerramento das eleições municipais - exceto no Amapá - na noite deste domingo, 29/11. Impulsionada pela pandemia a abstenção cresceu em todo o Brasil, com grandes reflexos nos maiores colégios eleitorais do país, onde a ausência do eleitor foi significativa. Em São Paulo a abstenção saltou de 1.866.100 em 2016 para 2.769.179 este ano, já no Rio de Janeiro os números foram de cerca 1.189.000 em 2016 para 1.720.154 em 2020, dados dos respectivos segundos turnos, publicados pelo Tribunal Superior Eleitoral. Em São Paulo o número de ausentes ficou sem segundo lugar na disputa eleitoral, ultrapassando o candidato Guilherme Boulos em mais de 600 mil votos. Já no caso carioca a abstenção saiu vencedora nesse segundo turno, ficando a frente do prefeito eleito Eduardo Paes com quase cem mil votos de diferença.

No nosso Rio Grande do Sul a situação não foi diferente, com a abstenção crescendo na nossa capital, em Rio Grande e Pelotas. Os dados de Porto Alegre revelam uma abstenção de 358.217 no primeiro turno, ganhando a eleição com folga, com mais de 150 mil votos à frente do candidato que ficou em primeiro lugar, diminuindo timidamente no segundo turno, chegando a 354.692, ficando a frente de Manuela D'ávila, candidata derrotada, e encostando em Melo, prefeito eleito. Em Rio Grande, onde só há primeiro turno a abstenção saltou de cerca de 30 mil em 2016, para 45.862 em 2020, ficando à frente do candidato eleito, o deputado estadual Fábio Branco. Em Pelotas os dados são impressionantes, com a abstenção no primeiro turno crescendo quase 300% em relação a 2016. No pleito anterior a ausência de eleitores chegou a cerca de 20.000, já neste ano passou para 64.032, aumentando para 70.786 no segundo turno.

Os números apresentados anteriormente certamente foram influenciados pela terrível pandemia que estamos enfrentando, como já dito anteriormente neste artigo, entretanto a Covid-19 não é o único fator a ser levado em conta. Eleição após eleição fica nítido o descontentamento da população com as campanhas, os candidatos, os partidos e tudo o que envolve o certame, precisamos, ainda, levar em conta para uma melhor análise os números de votos em branco e anulações, que também crescem com o passar do tempo. Ao que parece os candidatos e suas campanhas não conseguem mais atingir, de forma satisfatória, o eleitor, levando grande parte da nossa população a abdicar do direito ao voto, eximindo-se da tentativa de mudar sua cidade. 

Os partidos, políticos, os órgãos responsáveis pela organização das eleições e a população em geral saem desta eleição com muito a se pensar. Se o voto obrigatório não mais leva as pessoas as suas seções eleitorais, o que o fará? É preciso que este panorama seja revertido pelo bem da nossa jovem democracia.


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