Editorial

Uma aceleração perigosa

21 de Janeiro de 2022 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A sensação de quem vive na maioria dos municípios da Zona Sul nas últimas semanas é bastante semelhante: de que todo mundo à volta está infectado pelo coronavírus. Isso quando não é a própria pessoa a acometida pela Covid. E não é para menos. De acordo com o boletim epidemiológico divulgado ontem pela prefeitura de Pelotas, pela primeira vez nestes quase dois anos de pandemia a cidade ultrapassou a marca de mil novos casos diagnosticados em 24 horas. Antes disso, a máxima - já assustadora - havia sido de 667 positivados no há uma semana, no dia 14.

Se forem somadas somente as pessoas tiveram confirmação de infecção pelo vírus nos últimos três dias (terça, quarta e quinta-feira), são 2.072 casos novos de Covid. Número que, mais do que corroborar a sensação de que estamos cercados pelo vírus, mostram o potencial de disseminação que as novas variantes possuem e comprovam que, quando baixamos a guarda como ocorrido nas festas de final de ano, o risco de descontrole passa a ser real e exige ainda mais esforço para superar o momento.

Felizmente essa espécie de tsunami de contágios chega em um momento em que a grande maioria da população está protegida com duas ou três doses de imunizantes. Por mais que alguns poucos - cada vez menos - façam esforço para desqualificar o processo de vacinação usando uma série de argumentos descabidos e sem qualquer base em científica, a maior evidência de que a vacina funciona está justamente no fato de que o número atual de vítimas fatais de Covid é baixo diante da onipresença do vírus.

Ainda assim, nunca é demais salientar que o fato de a taxa de óbitos ser reduzida na comparação com outros momentos dessa crise sanitária não significa não haver gravidade. Pelo contrário. Pessoas que estão sendo internadas ou vitimadas pela doença atualmente - mesmo vacinadas - deveriam estar protegidas também pelo senso de responsabilidade coletiva. Isso porque o grande objetivo das vacinas é reduzir os riscos de complicações, mas isso precisa fundamentalmente ser acompanhado da redução da circulação do coronavírus. Caso contrário, seguem preocupantes as chances de pessoas mais sensíveis continuarem tendo complicações ou morrendo. E vidas não são números. Cada uma delas é uma tragédia para um grupo familiar, de amigos, de colegas.

O Alerta emitido pelo governo do Estado precisa soar forte. Não pode ser apenas uma chamada burocrática a gestores públicos para que digam, pela enésima vez, que irão intensificar fiscalizações e cobranças de protocolos. As autoridades devem, sim, levar a sério e endurecer o combate ao vírus. Mas para isso precisam de consciência coletiva. Ou seguiremos vivendo entre ondas que vêm, contagiam muitos, deixam vários com sequelas e levam alguns.


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