Editorial

Nada pior que o desemprego

01 de Dezembro de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Quase quatro Uruguais inteiros. Ou bem mais de um Portugal. Esse é o tamanho da população que está desocupada e à procura de um emprego neste momento no Brasil. É o que aponta a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Continua divulgada ontem pelo IBGE relativa ao terceiro trimestre do ano.

Colocando em números, o levantamento indica que a taxa de desocupação está em 12,6%, o que se traduz em 13,5 milhões de pessoas que querem - e precisam - trabalhar e não encontram oportunidades. Um enorme contingente que, se quisermos comparar não com outros países, mas trazer para uma proporção mais próxima da nossa realidade, equivale a todo os moradores do Rio Grande do Sul somados aos do Amapá e Roraima.

A boa notícia em meio a essa infeliz realidade de altos índices de desemprego que se arrastam há alguns anos no País é que houve uma considerável melhora na comparação com a pesquisa feita no trimestre anterior, equivalente aos meses de abril, maio e junho, quando a taxa de desocupação era de 14,2%. Por outro lado, os atuais 13,5 milhões continuam sendo o segundo maior contingente de desempregados no Brasil desde 2012, quando iniciou esta série histórica do IBGE. Fica atrás somente do ano passado, que fechou com 14,6 milhões de pessoas sem trabalho.

Trabalhando, hoje, são 93 milhões. O que também pode ser considerado uma boa nova porque representa 4% a mais em relação ao trimestre anterior. O porém é que, para fins destes cálculos, o instituto considera como empregados tanto aqueles brasileiros que estão em atividades formais - com carteira assinada, contrato, direitos assegurados - quanto os que estão na informalidade.

Em que pese as melhoras do terceiro trimestre, um alerta é feito pelos pesquisadores e por economistas: o nível elevado de desemprego fica ainda mais grave em um cenário como o presente, em que a inflação é uma realidade e que recai com mais força justamente sobre a parcela da sociedade mais vulnerável economicamente. Afinal, itens como alimentos, energia e transporte, por exemplo, são essenciais e alguns dos mais impactados pelas altas.

Para um País que acostumou-se a viver sob um conjunto de avanços que permitiu a estabilidade econômica e até mesmo o pleno emprego entre o final dos anos 1990 e a primeira década de 2000, o que se percebe agora é a confirmação de um retrocesso histórico. A ponto de, em projeções otimistas como a do economista Bráulio Borges, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, o pleno emprego vir a ser uma possível realidade novamente só em 2026.

Até lá, milhões continuarão dependentes da solidariedade de ações da sociedade civil e de migalhas dos programas sociais que mesclam algumas boas políticas de distribuição de renda e auxílio social a outras iniciativas meramente eleitoreiras.


Comentários