Editorial

O básico fundamental da política

21 de Janeiro de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Acabou. A era Donald Trump na principal potência militar e econômica do mundo foi encerrada ontem com a posse de Joe Biden e Kamala Harris como presidente e vice dos Estados Unidos. É mais um suspiro, uma tomada mundial de fôlego que se junta à vacinação como indícios de que páginas trágicas da história estão sendo viradas. Trump vai tarde. Seus estragos para a democracia estão fortemente entranhados nas relações políticas e sociais. Vai levar tempo para que sejam superados.

E o que esperar de Biden? O 46º presidente dos Estados Unidos, um político democrata experimentado, traz perfil totalmente diferente do multi milionário que ganhou ainda mais projeção ao demitir pessoas na TV. Ao invés do conflito, o diálogo. Ao invés do isolacionismo, a retomada de relações multilaterais. Ao invés do personalismo, a institucionalidade.

Isso significa que os Estados Unidos passarão a ser menos dominadores, imperialistas ou outro adjetivo semelhante? Dificilmente. O pragmatismo norte-americano, mesmo que nem sempre ao extremo do "America First" de Trump, sempre coloca os interesses locais sobre quaisquer outros. No entanto, espera-se do governo Biden-Harris influência mundial ao retomar o básico fundamental: bom senso e capacidade de negociar por consensos mínimos.

Esperar isso de um governo - seja de onde for - pode parecer pouco. Mas em tempos de convicções ideológicas extremistas dominando pautas por toda parte, exercitar o fundamental da política já é enorme avanço. Especialmente quando o mundo tem pela frente a necessidade de solucionar problemas sociais e enfrentar o coronavírus.

De longe, acompanharemos o novo governo dos Estados Unidos atentos a cada reflexo no Brasil. Afinal, nosso governo decidiu, há dois anos, adotar alinhamento total às ideias de Trump, dispensando tradição do Itamaraty de interlocução ponderada e institucional. Como será daqui para frente? Planalto e Itamaraty estarão abertos para fazer política de verdade com a principal democracia mundial, respeitando diferenças e estabelecendo pontes? Do lado de lá, a Casa Branca parece ter alguém disposto.


Comentários