Editorial

A maioria sonha com o emprego

09 de Julho de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Enquanto "futurólogos" projetam como será o novo Brasil depois da pandemia, com mudanças na rotina e nos hábitos da população, se o home office irá predominar, se as aulas serão virtuais para sempre, se a preocupação com o meio ambiente irá aumentar, para milhões de pessoas o imprescindível, nesse momento, é sobreviver economicamente. São trabalhadores que viram, do dia para a noite, suas vidas mudarem por completo, a renda desaparecer e a chance de reingressar no mercado cair próximo a zero pela falta de perspectiva.

O impacto do novo coronavírus (Covid-19) na vida dos trabalhadores vai muito além da preocupação com o contágio. São pessoas que ficaram sem renda ou viram seus proventos desabar a nível nunca imaginados. Em um, dois meses, deixaram de ser produtivos e se tornaram estatísticas do governo.

O estudo A evolução do emprego setorial em 2020: Quão heterogêneo foi o tombo entre os setores?, realizado pelo Instituto de pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), revela justamente o quanto o Brasil colheu de prejuízos na pandemia até aqui. O isolamento social (uma necessidade), o fechamento das atividades e a imposição de medidas restritivas por estados e municípios, de acordo com a pesquisa, afetaram fortemente a população ocupada a partir de abril, com destaque para os setores da alimentação, de alojamento e da construção. Foram analisadas ainda outras áreas, como comércio, construção, serviços domésticos, administração pública, indústrias extrativas, educação, saúde, cultura, transporte, atividades imobiliárias, científicas e técnicas, agricultura e pecuária.

Um amplo grupo, responsável por movimentar a economia nacional e que hoje vive sob os efeitos de um cenário que desperta futurólogos, embora o mais importante, agora, deveria ser olhar para o presente.


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