Editorial

Superar a Covid também depende de dinheiro

10 de Abril de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

O agravamento da pandemia em 2021 é uma evidente e lamentável catástrofe sanitária com impacto direto para milhares de pessoas. Mais especificamente, na vida de quatro mil famílias por dia que perdem alguém para o coronavírus. E é justamente por conta dessa continuidade da circulação do vírus que as cidades vão continuar precisando, cada vez mais, de recursos para dar conta da demanda maior especialmente por atendimentos na área da saúde. Mas não é só isso.

Em 2020, quando se acreditava que aquele seria o período mais grave do coronavírus, os municípios contaram com socorro emergencial do governo federal que, se não impediu totalmente as dificuldades financeiras, pelo menos garantiu fôlego. Mais do que compensar parte das perdas de arrecadação pela desaceleração econômica, o dinheiro serviu para manter e reforçar a estrutura de saúde.

No caso de Pelotas, foram R$ 44,5 milhões entre repasses para custeio da máquina pública (salários e outras despesas) e investimentos relacionados à pandemia. Contudo, pelo menos até o momento, em 2021 as prefeituras não contam com esse mesmo suporte. Em entrevista que você confere nesta edição do Diário Popular, a prefeita Paula Mascarenhas foi bastante clara: há grande preocupação com as finanças do município nos próximos meses.

Segundo ela, o que havia de reservas para dar conta do enfrentamento à Covid-19 está se esgotando. Afinal, mesmo que os novos leitos de UTI abertos durante fevereiro e março recebam repasses federais, o município entra com recursos próprios como incentivo aos hospitais para cobrir parte dos investimentos. Na prática, o alerta é que, sem novo socorro federal, Pelotas - e muitas outras cidades - terão muitas dificuldades em manter seus compromissos. Leia-se, por exemplo, pagamento de fornecedores, salários de servidores, investimentos em melhorias na estrutura da cidade e, claro, também na saúde. Justamente no momento em que tentamos nos livrar do cenário mais agressivo do coronavírus. Conforme a projeção da Secretaria Municipal da Saúde apontada pela prefeita, para dar conta de todas as demandas em 2021, a pasta precisaria de R$ 60 milhões a mais em seu orçamento, que já é um dos maiores.

Apesar da vacinação estar ganhando ritmo mais forte em Pelotas, com mais de duas mil doses aplicadas ao dia e aumento do número de cidadãos imunizados, a cidade tem como desafio também tratar de quem está infectado. E assistir socialmente a crescente população vulnerável. E oferecer programas de retomada econômica. E tantas outras obrigações que, direta ou indiretamente, envolvem a superação da crise causada pela pandemia. Para todas elas é preciso recursos. E, no modelo federativo atual, quem pode - e deve - auxiliar os municípios é o governo federal. Os apelos têm sido feitos. Faltam as respostas.


Comentários