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60 anos de Crônica de Arte

Na imprensa de Pelotas, os cronistas que abordavam o setor cultural e das artes não provinha de uma escola oficialmente constituída

28 de Junho de 2013 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Francisco Dias da Costa Vidal, colaborador do Diário Popular desde abril de 1953

Na imprensa de Pelotas, os cronistas que abordavam o setor cultural e das artes não provinha de uma escola oficialmente constituída, mas não deixou de ser exercida, durante décadas, por uma equipe que colaborava no Diário Popular e n’A Opinião Pública. Essa turma, da qual fiz parte desde os anos 50, gravitava em torno ao experiente cronista Waldemar Coufal, que, de longa data e merecidamente, criara um aureolado prestígio na difícil arte de comentar concertos e recitais, exposições e palestras. Fez-se conhecer pelo pseudônimo de Sol, ao qual ele mesmo acrescentava: Quinta Nota Musical.

Na época, era Coufal quem registrava – sem estardalhaço, em discretas notas do DIÁRIO – nascimentos, aniversários, casamentos e demais acontecimentos sociais. Os anúncios dessa índole justificavam plenamente a ocupação suficiente de espaços na imprensa diária, e contavam com alto interesse dos leitores.

Talvez prematuramente, e sem o devido preparo na área das Artes, ingressei neste setor tido como tão “sério”, contando com o apoio de quem era também Cronista Social. Entre outros jovens como Carlos Alberto Motta e Luiz Carlos Lessa Vinholes, passei a redigir relatos e apreciações sobre a Arte e a Cultura de Pelotas. O convívio entre os comentaristas era informal, muitos deles sendo simplesmente fãs da área estética, sem estudos especializados em Música ou em Artes Plásticas.

Naquele contexto, a crônica de arte começou a ocupar, dentro do jornal, um espaço sócio-cultural de modo anexo ao setor social, e não deixava passar em branco o desempenho de artistas visitantes, geralmente com êxito garantido. A repercussão dos recitais provinha das Crônicas de Arte, esperadas e muito valorizadas pelos próprios artistas.

Para todos nós, o jornal diário foi a estrutura que favoreceu a existência de uma escola espontânea de cronistas amadores. E aquela gratificante atividade, se bem não era retribuída economicamente, a todos nós recompensou com a formação de um núcleo humano, que nos proporcionou o lazer complementar de uma vivência mais completa da Arte, já que não é somente o artista que dela desfruta, mas essa Arte pode gerar um entretimento contagioso para o público apreciador, aí incluído o cronista.

Como divulgadores das Artes, supomos ter premiado também aos artistas e aos leitores das crônicas. Pessoalmente, creio ter vivido uma importante e envolvente experiência, nessa fase cultural que hoje testemunho como de inapreciável valor em nossa querida Cidade de Pelotas!


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